Crise climática ameaça segurança alimentar na América Latina e no Caribe

Foto: Juber Ahmed Sahel | Pexels

Mais Lidos

  • A virada do Papa Leão. Artigo de Massimo Giannini

    LER MAIS
  • OMS alerta que a humanidade está à beira de uma pandemia ainda mais devastadora: "O mundo não está mais seguro"

    LER MAIS
  • "A adesão ao conservadorismo político é coerente com uma cosmologia inteira que o projeto progressista rechaça". Entrevista especial com Helena Vieira

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

20 Mai 2026

Relatório da OMM mostra que furacões, enchentes e secas já pressionam produção, renda rural e abastecimento em diferentes países da região.

A informação é publicada por ClimaInfo, 19-05-2026. 

Calor recorde, seca persistente, chuvas extremas e furacões tropicais devastadores impactaram comunidades e economias em toda a América Latina e o Caribe no ano passado, enquanto o derretimento de geleiras levou a um aumento de riscos de curto prazo, como inundações, e de riscos à segurança hídrica a longo prazo. É o que mostra o relatório “Estado do Clima na América Latina e no Caribe em 2025”, lançado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) na 2ª feira (18/5).

Furacões, enchentes, secas e incêndios afetaram sistemas agroalimentares em diferentes pontos da região em 2025, com impacto sobre lavouras, criação animal, pesca, estradas rurais e renda de pequenos produtores, destaca o documento. Os eventos atingiram, ao mesmo tempo, a produção, os ativos rurais, o funcionamento dos mercados e o acesso físico e econômico aos alimentos, destaca o Meteored.

O ano passado foi de recordes em quase todos os aspectos. Chuvas torrenciais, com enchentes e deslizamentos de terra, atingiram Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Brasil, entre outros países. O furacão Melissa devastou a Jamaica, causando perdas de mais de 40% do PIB do país. O México teve 85% de seu território afetado pela seca, enquanto as geleiras andinas, das quais dependem cerca de 90 milhões de pessoas, tiveram derretimento acelerado. Além disso, ondas de calor recorrentes e intensas assolaram grande parte da região, com temperaturas acima de 45°C em diversas áreas.

A América Latina e o Caribe estão esquentando no ritmo mais acelerado desde o início das medições, em 1900, segundo o relatório. Para chegar a esse diagnóstico, a OMM dividiu os últimos 125 anos em quatro recortes de 30 anos e calculou em cada um deles a velocidade do aumento das temperaturas, detalha o g1. O período mais recente, de 1991 a 2025, é de longe o mais quente.

Na América do Sul, as temperaturas sobem 0,26°C por década; na América Central e no Caribe, 0,25°C. O México lidera o ranking, com 0,34°C por década, mais do que o triplo do ritmo observado entre 1961 e 1990.

O documento relata que a região não consegue contabilizar com precisão as mortes causadas por temperaturas extremas, informa a Folha. A OMM estima que cerca de 13 mil pessoas morrem anualmente na América Latina por causas relacionadas ao calor, com base em uma média calculada a partir de dados de 17 países entre 2012 e 2021. No entanto, a organização alerta que os casos são subnotificados e, assim, o número é quase certamente uma subestimação.

Secretária-geral da OMM, a argentina Celeste Saulo afirma que o relatório é um chamado à ação. “Ele nos insta a fortalecer as observações, investir em serviços, corrigir as deficiências nos sistemas de alerta precoce e garantir que as informações climáticas cheguem a quem mais precisa.”

Inside Climate News, Correio Braziliense, Folha PE e Agência Sertão também repercutiram o novo relatório da OMM.

Leia mais