Eventos extremos no Brasil são destaque em relatório da ONU para a América Latina

Foto: Lauro Álves | Secom RS

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01 Abril 2025

As chuvas históricas no Rio Grande do Sul e a seca que atingiu a maior parte do Brasil figuram entre os eventos climáticos extremos com maior impacto na América Latina em 2024.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 30-03-2025.

Um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) sobre os eventos climáticos extremos de 2024 na América Latina destacou os episódios vivenciados pelo Brasil. O documento cita as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, a seca e os incêndios que afetaram a Amazônia e o Pantanal, além das ondas de calor que elevaram as temperaturas na maior parte do país no ano passado.

Somente no Brasil, de acordo com a OMM, foram reportados 10 eventos climáticos extremos no último ano, com impactos econômicos, ambientais e sociais significativos. Somente as inundações no RS provocaram mais de 180 mortes e perdas econômicas de cerca de R$ 8,5 bilhões no setor agropecuária, principalmente na soja, que representou entre 15% e 15% desse total. O relatório também aponta que 600 mil hectares de pastagens foram seriamente prejudicados.

Já os incêndios na Amazônia e no Pantanal afetaram mais de 745 mil pessoas até o final de setembro de 2024. A intensificação do fogo nesses biomas esteve diretamente relacionada à seca histórica que afetou a maior parte do Brasil e que reduziu as chuvas entre 30% e 40% em relação à média no centro-norte do país. Além da seca, o forte calor também afetou boa parte do território brasileiro em 2024. Entre o final de agosto e a primeira semana de setembro passados, áreas do Centro-Oeste do país registraram máximas até 7ºC acima do normal, com várias localidades experimentando temperaturas superiores a 41°C.

Em toda a América Latina e o Caribe, o clima em 2024 também foi marcado por ondas de calor, seca e tempestades intensas e concentradas. A temperatura média na região foi 0,9ºC acima da média para o período de 1990 a 2020, seguindo a tendência global observada no ano passado, o mais quente já registrado. Dependendo do conjunto de dados analisado, a região teve o primeiro ou o segundo ano mais quente da série histórica em 2024.

O relatório apontou também o impacto do calor nas geleiras dos Andes. Um dos eventos marcantes de 2024 foi o desaparecimento da geleira de Humboldt, a última que existia na Venezuela, que se transformou em uma das duas nações do mundo a perder todas as suas geleiras nos últimos 150 anos, ao lado da Eslovênia. Segundo a OMM, as montanhas perderam 25% de sua cobertura de gelo desde o final do século XIX.

“Em 2024, os impactos climáticos e meteorológicos se espalharam dos Andes para a Amazônia, de cidades lotadas para comunidades costeiras, causando grandes perturbações econômicas e ambientais”, disse a secretária-geral da OMM, a argentina Celeste Saulo.

AFP, Folha e ONU News repercutiram os principais pontos do relatório da OMM.

Em tempo: Um novo programa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) quer apoiar os países latino-americanos afetados por eventos climáticos extremos a ganharem resiliência e agilidade na mitigação dos impactos dessas emergências. O programa prevê US$ 10 milhões em financiamento a fundo perdido para apoiar a adoção de mecanismos financeiros que ajudem na captação de recursos, como a emissão dos "títulos de resiliência" no mercado financeiro. O Globo deu mais detalhes.

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