Leão XIV aguarda Rubio: mão estendida após os ataques, mas firme em prol da paz

Marco Rubio (Foto: Gage Skidmore/Flickr)

Mais Lidos

  • O Brasil que a República não quis construir. Entrevista com Ivanir dos Santos

    LER MAIS
  • A catolização de Jesus de Nazaré: uma febre que mata. Artigo de Daniel Luiz Medeiros

    LER MAIS
  • Terras Raras rifadas? Entendendo antes que seja tarde. Artigo de Stella Petry

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Mai 2026

A reunião será na quinta-feira, dia 7 de maio. Pontífice fará apelos contra os conflitos no Irã e no Líbano.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 04-05-2026.

A porta da biblioteca pessoal do Papa se abrirá para Marco Rubio na quinta-feira, mas Leão XIV não desistirá de reiterar ao ministro das Relações Exteriores de Donald Trump todos os motivos da preocupação da Santa Sé, desde a suspensão da guerra dos EUA no Irã até o bombardeio do Líbano e o futuro de Cuba.

A diferença em relação a Vance

O pontífice nascido em Chicago aceitou prontamente a proposta do católico Rubio de ir a Roma para tentar apaziguar as divergências surgidas com o ataque de Trump ao Papa nas redes sociais. É tradição da Santa Sé não negar audiência a ninguém, especialmente se o pedido vier de um país com o qual mantém relações diplomáticas consolidadas. Não passou despercebido que, enquanto Trump atacava Leão e a outra figura católica de destaque na Casa Branca, o vice-presidente J.D. Vance, intensificava a pressão com um curioso convite ao pontífice para que se ativesse a questões de "moralidade" e fosse "prudente" ao discutir teologia, Rubio permaneceu em silêncio. No dia seguinte, 8 de maio, enquanto Leão visitará Pompeia e Nápoles no primeiro aniversário de sua eleição no Conclave, o Secretário de Estado americano se reunirá com representantes do governo italiano.

Um crescendo de críticas

O Papa Leão XIV vinha criticando cada vez mais a guerra no Irã e no Líbano, classificou a intenção de Trump de "apagar toda uma civilização" como "inaceitável" e organizou uma vigília pela paz na Basílica de São Pedro, enfatizando que a oração é "uma barreira contra esse delírio de onipotência que está se tornando cada vez mais imprevisível e agressivo ao nosso redor". Nos últimos meses, ele condenou as batidas policiais contra imigrantes do outro lado do Atlântico realizadas por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). Três cardeais americanos próximos a ele, McElroy, Cupich e Tobin, chamaram a intervenção militar contra Teerã de "imoral". E o magnata o atacou nas redes sociais, chamando-o de "fraco no combate ao crime" e "péssimo em política externa".

Uma audiência inesperada

O Papa respondeu a esses insultos com serenidade, explicando aos jornalistas que o acompanharam à África que não queria "debater" com o presidente, mas que não tinha intenção de abandonar a pregação do Evangelho da paz, em nome das muitas vítimas inocentes, como contraponto àqueles que "abusam" da religião para justificar a guerra. O Pontífice nunca se interessou pela crise desencadeada por Trump e, aliás, quis se desvencilhar da imagem de "Papa anti-Trump" ao salientar, novamente durante sua viagem à África, que era inapropriado interpretar cada palavra que proferia como uma polêmica contra o ocupante da Casa Branca. E embora o interlocutor natural do secretário de Estado americano seja seu homólogo, o Cardeal Pietro Parolin, que se reunirá com o ministro das Relações Exteriores dos EUA em uma audiência separada, o Papa concordou em se encontrar pessoalmente com Rubio, um sinal do desejo do Papa de não fechar o diálogo e de manter um canal aberto com a Casa Branca. Sem alimentar conflitos, sem recuar de suas posições.

Se os ataques ao Irã forem retomados

Com seu tom gentil e cordial, é previsível que Leão, que já recebeu Rubio na missa inaugural de seu pontificado, aproveite a oportunidade do encontro presencial com o ministro das Relações Exteriores de Trump para reiterar a importância de trabalhar pela paz por meio da diplomacia e do diálogo. "A questão", explicou ele ao retornar da África, "é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantas pessoas inocentes". O Papa e seus assessores estão apreensivos com o risco do renovado ataque de Trump ao Irã, com consequências militares e econômicas em todo o mundo, bem como com o bombardeio israelense em curso no sul do Líbano, ao qual o L'Osservatore Romano dedicou uma capa com uma foto de escombros e a manchete "Vilas arrasadas".

O nó cubano

É também plausível que o Papa e o Cardeal Parolin expressem a Rubio, filho de exilados cubanos, o receio de que os Estados Unidos possam intervir na ilha caribenha, tal como fizeram na Venezuela. Nas últimas semanas, a Santa Sé já interveio discretamente para promover uma resolução pacífica da crise cubana.

Leia mais