29 Abril 2026
Projeto Ar, Água e Terra chegou a 96% de territórios preservados em dez comunidades indígenas.
A reportagem é publicada por Sul21, 28-04-2026.
O Projeto Ar, Água e Terra, que atua em dez comunidades guarani no Rio Grande do Sul, conseguiu triplicar as áreas em recuperação ambiental. A abrangência da iniciativa passou de 10 para mais de 30 hectares entre 2024 e este ano. O mapeamento foi divulgado pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (Iecam), que realiza o trabalho nas aldeias, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Além da recuperação ambiental, o projeto ainda conquistou importante avanço na área da reconversão produtiva, que redireciona os esforços para práticas mais sustentáveis: ultrapassou a marca dos cinco e chegou a mais de 26 hectares. A ação ainda intensificou a produção e o plantio de mudas de espécies nativas. Foram mais de 30 mil mudas criadas na comparação com 20 mil de 2024; e de 30 mil para 60 mil plantadas pela última atualização.
O Projeto Ar, Água e Terra estima que o equivalente a 96% da área total das dez aldeias permaneça conservada. Dos 3.409 hectares de área total, 3.281 hectares seguem preservados. A inciativa atua em parceria com as comunidades para a valorização da cultura guarani, por meio dos saberes tradicionais. “Hoje, depois que a mata cresceu, os animais estão voltando. Temos erva-mate, frutas nativas, remédios. Assim, as pessoas ficam com mais saúde, porque o espírito fica mais feliz”, afirma o cacique José Cirilo Pires Morinico, da Teko’a Anhetenguá (Aldeia da Verdade), em Porto Alegre.
Conforme a análise do Iecam, os dados destacam a intervenção das comunidades indígenas na proteção dos biomas Pampa e Mata Atlântica no território gaúcho. Também ilustram o papel estratégico dos guaranis na recuperação da biodiversidade e na construção de modelos sustentáveis de uso da terra. “O que esses números revelam é a força do protagonismo indígena na gestão de seus territórios. Não se trata apenas de preservar, mas de cuidar, produzir e manter vivo um sistema que integra floresta, água, terra e saberes ancestrais”, afirma Denise Wolf, coordenadora do projeto.
Além de atuar na preservação e restauração do ambiente natural, o Projeto Ar, Água e Terra atua em outras frentes, como a reconversão produtiva, a segurança alimentar, o viveirismo, a educação etnoambiental, o fortalecimento da autonomia das comunidades e a gestão sustentável de seus territórios. A metodologia do projeto é construída de forma participativa entre as equipes indígenas e não indígenas, buscando o protagonismo das comunidades na definição de demandas, prioridades e soluções.
Leia mais
- Dez aldeias Guarani no RS capturaram mais CO₂ da atmosfera do que emitiram
- RS: Índios aliam mapas à sabedoria Guarani para recuperar áreas degradadas
- Indígenas são peça-chave contra crise climática, diz FAO
- A crise climática, na ótica dos pesquisadores indígenas
- Emergência climática: “Os povos indígenas são ponto central nas discussões sobre as mudanças”
- Importância dos Territórios Indígenas na mitigação das mudanças climáticas
- Mudanças climáticas: um grande desafio para os povos indígenas
- Mudanças climáticas comprometem modo de vida de povos indígenas
- As mudanças climáticas sob o olhar indígena
- Integração entre o saber científico ocidental e o indígena é discutido na Science
- A complementaridade entre saberes indígenas e a ciência ocidental: um Caminho para a preservação da Amazônia e o futuro do planeta
- Conhecimento ancestral orienta ambientalistas indígenas brasileiros: “Nossos mais velhos já diziam que o sol ia esquentar mais”
- Cosmovisão indígena: criação, encarnação e saída desse mundo