29 Abril 2026
A formação sacerdotal na Alemanha está sendo colocada em uma nova base: a nova estrutura já está em vigor. Ela incorpora diretrizes romanas e visa aprender com o escândalo de abusos.
A informação é publicada por Katolisch.de, 28-04-2026.
A maturação da personalidade deve ser ainda mais central na formação sacerdotal no futuro, e não apenas a aquisição de habilidades individuais. Este princípio fundamenta o quadro nacional para a formação sacerdotal ("Ratio Nationalis Institutionis Sacerdotalis") publicado na terça-feira pela Conferência Episcopal Alemã (DBK). De acordo com o quadro, a formação dos candidatos ao sacerdócio deve ser teologicamente fundamentada e contextualizada, incorporar conhecimentos das humanidades e ser entendida como uma prática eclesial, servindo ao desenvolvimento pessoal de cada indivíduo e impulsionando um discipulado ao longo da vida em Jesus Cristo.
A vocação é entendida, no novo contexto, como um "processo dialógico ao longo da vida" que se desenvolve na relação com Cristo e com os outros, bem como no crescimento dentro da comunidade eclesial. "O desenvolvimento de uma existência dialógica é essencial para um sacerdote", explica D. Michael Gerber, bispo presidente da Comissão para as Vocações da Conferência Episcopal Alemã, a respeito da abordagem central para o desenvolvimento pessoal. "Isso significa que o aspirante ao sacerdócio adquire a imagem mais realista possível de si mesmo e encontra uma maneira de integrar novas experiências ao longo da vida em um processo contínuo de amadurecimento pessoal", continua Gerber.
O novo quadro regulamentar foi formulado por meio de um amplo processo participativo. Em particular, o conselho consultivo de pessoas afetadas na Conferência Episcopal Alemã também esteve envolvido. O quadro afirma que os regulamentos visam incorporar as conclusões sobre "o que veio à tona nos últimos anos a respeito da imaturidade humana e da má conduta dentro do clero, com suas consequências, muitas vezes para toda a vida, para os afetados".
Sensibilidade para com o povo de Deus
Ressalta-se também que o sacerdote precisa de "sensibilidade para com o povo de Deus ao qual pertence". Ao mesmo tempo, porém, os fiéis também precisam compreender a estrutura sacramental fundamental da Igreja: "Como povo sacerdotal de Deus, a Igreja vive do Senhor, que se entrega a ela em palavra e sacramento". Os bispos consideram importante estabelecer uma relação frutífera entre o sacerdócio especial dos ordenados, baseado na teologia do Concílio Vaticano II, e o sacerdócio comum dos fiéis.
O quadro é baseado na Ordem Fundamental para a Formação Sacerdotal ("Ratio fundamentalis"), que entrou em vigor para a Igreja universal em 2016. Além das disposições da ordem fundamental do Vaticano, as deliberações do Sínodo da Igreja Evangélica Luterana na Alemanha (ESCV) também foram incorporadas ao quadro nacional. Um grupo de trabalho do Sínodo tratou da revisão da ordem fundamental com o objetivo de revisá-la a partir de uma perspectiva sinodal e missionária. Tanto os resultados do grupo de trabalho do Vaticano, apresentados em março, quanto o quadro agora aprovado enfatizam aspectos como uma formação mais descentralizada, ou seja, alternando entre a vida no seminário e a vida em paróquias, ou por meio de unidades de formação conjunta para seminaristas com outras profissões pastorais. Além disso, as mulheres devem participar em todos os níveis de formação e o papel da psicologia deve ser fortalecido.
Os princípios fundamentais do Vaticano causaram polêmica e geraram debates em 2016 devido a uma seção sobre como lidar com "tendências homossexuais" entre seminaristas. Os princípios excluíam da formação sacerdotal indivíduos "que praticam a homossexualidade, têm tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiam uma suposta 'cultura homossexual'". A justificativa era que esses indivíduos se encontravam em uma situação "que os impedia seriamente de formar relacionamentos adequados com homens e mulheres".
A homossexualidade não é um tema dominante
O regulamento nacional alemão para admissão em seminários aborda explicitamente a homossexualidade apenas em uma nota de rodapé, no contexto da vivência da própria sexualidade, remetendo à seção correspondente da Ordem Geral do Vaticano e a outros documentos romanos. O regulamento enfatiza que integrar a sexualidade a uma vida casta e celibatária é uma tarefa para toda a vida. "Quando essa abstinência relaxada não é vivenciada de forma permanente e alegre, mas sim quando as implicações do celibato são sentidas principalmente como constante esforço excessivo, coerção, autoalienação ou negação da vida, o próprio candidato deve perceber (através de oração sincera e reflexiva e diálogo de confiança) que esse não é o caminho para o qual Cristo o chama", afirma o regulamento. Entre os requisitos de admissão para o seminário, o regulamento lista a disposição "para vivenciar a vida celibatária e participar da vida da comunidade".
Além dos aspectos de vocação e formação de caráter, o regulamento-quadro estipula as pessoas e os locais de formação, bem como a estrutura da formação básica e a organização dos estudos. Segundo informações, o regulamento nacional foi confirmado pelo Dicastério para o Clero do Vaticano em 11 de março e substitui o regulamento anterior de 2003. A revisão tornou-se necessária após o Papa Francisco (2013-2025) ter promulgado uma ordem fundamental vinculativa para a formação sacerdotal da Igreja universal no final de 2016.
Texto completo: Regulamento-quadro para a formação sacerdotal
A "Ratio Nationalis Institutionis Sacerdotalis" é a regulamentação nacional da Conferência Episcopal Alemã para a formação de sacerdotes.
O documento estabelece normas vinculativas para a formação sacerdotal nas dioceses alemãs. Suas disposições vão além de meras regulamentações legais. Visam ao desenvolvimento pessoal dos candidatos e levam em consideração o contexto cultural e eclesiástico da Alemanha.
A "Ratio Nationalis" compreende o caminho da formação sacerdotal como um processo contínuo, holístico, comunitário e missionário. A formação sacerdotal ao longo da vida abrange toda a existência do indivíduo, só pode ser realizada em comunidade — isto é, em uma rede de relações diversas — e se concretiza como um testemunho vivido de Jesus Cristo e de sua mensagem.
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