Santo Egídio e o Papa, a diplomacia de Macron

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10 Abril 2026

O presidente francês se reunirá com Leão em Roma hoje. Ontem, em Trastevere, ele e Riccardi discutiram o Irã, o Oriente Médio e a África.

A informação é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 10-04-2026.

Ele os chamou de "amigos de Santo Egídio", e não sem razão. Emmanuel Macron chegou a Roma ontem à noite para uma visita de dois dias inteiramente dedicada ao Vaticano — sem reuniões com o governo italiano — hoje ele se encontra com Leão XIV pela primeira vez, mas o aperitivo, ontem à noite, foi um passeio em Trastevere e uma visita à comunidade onde ele mora. Uma questão de entendimento intelectual e convergência de interesses, esta é a décima vez que o presidente francês se encontra com Andrea Riccardi, que ontem estava acompanhado pelo presidente de Santo Egídio, Marco Impagliazzo, e por Mario Giro. Por quase duas horas, eles discutiram o Irã, o Oriente Médio e se detiveram longamente na situação na África, particularmente no Congo e na África Central.

Mas talvez a questão mais premente tenha sido o Líbano, que atualmente está sob bombardeio, mas sempre esteve perto dos corações de Paris e da Santa Sé. Ainda ontem, o Cardeal Jean-Marc Aveline, presidente dos bispos franceses, condenou o bombardeio israelense à terra dos cedros. "Macron afirma que o renascimento do Líbano deve estar nas mãos dos libaneses dentro de uma estrutura internacional: o Líbano não pode ser deixado sozinho", disse Impagliazzo ao jornal La Repubblica. "Ele está preocupado, ele é um homem de paz", disse Riccardi. "Analisamos o que a Europa pode fazer." Em relação ao Irã, o presidente do Palácio do Eliseu também acredita ser necessário retornar a uma estrutura multilateral.

Durante a visita, o presidente, que caminhava com sua esposa Brigitte pela Via del Corso, também teve um incidente inesperado: viu um homem caído no chão e interveio, pedindo ajuda aos seus médicos particulares. Após quinze minutos, o homem se recuperou, e Macron o cumprimentou e continuou sua caminhada.

Esta manhã, às 10h, Macron foi recebido pelo Papa Prevost pela primeira vez. Eles haviam conversado por telefone no início do pontificado, mas as agendas lotadas só tornaram possível um encontro presencial agora. Macron estabeleceu uma relação próxima com Francisco, que em 12 anos de pontificado nunca esteve em Paris, nem mesmo para a reabertura de Notre Dame, a ponto de já o tratar pelo primeiro nome.

Macron sobre os ataques de Trump: "Ele fala demais, não está à altura da tarefa."

Ele visitou Bergoglio três vezes, em 2018, 2021 e 2022, e agora se encontra com o Papa americano. Ele tem grandes expectativas e considera o papel da Santa Sé crucial na construção da paz: "Ele ficou impressionado com o que o Papa disse na última terça-feira em Castel Gandolfo", relata Impagliazzo, quando o Papa Prevost chamou a ameaça de Trump ao Irã de "inaceitável" e pediu a reabertura das negociações. Embora haja uma divergência no âmbito político interno — a França incluiu o direito ao aborto na Constituição e Macron pressionou por uma lei sobre o fim da vida, à qual os bispos se opõem —, no âmbito internacional, particularmente urgente neste momento dominado pela imprevisibilidade de Donald Trump, há harmonia.

A comitiva do presidente inclui, entre outros, Jean-Marc Sauvé, que presidiu a comissão independente sobre abuso sexual na Igreja, a qual causou irritação no Vaticano durante o pontificado de Francisco. Após uma audiência com o Papa e o Cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, Macron viajará para São João de Latrão, onde os presidentes franceses herdaram o título de protocânone honorário dos reis da França.

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