05 Janeiro 2026
"A Encarnação também nos chama a um compromisso concreto com a promoção da fraternidade e da comunhão, para que a solidariedade seja o critério das relações humanas; pela justiça e pela paz; pelo cuidado com os mais vulneráveis e pela defesa dos fracos."
A reportagem é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 04-01-2026.
Do púlpito junto à janela, Leão XIV recorda que, por ocasião do encerramento do Jubileu depois de amanhã, "devemos sempre verificar a nossa espiritualidade e as formas como expressamos a fé, para que sejam verdadeiramente encarnadas", enquanto a vinda de Jesus nos impele a um "duplo compromisso" interior e exterior, isto é, para com Deus e para com a humanidade.
O Papa enfatizou o mistério da Encarnação: "Deus se fez carne, portanto não há culto autêntico a Deus sem cuidado com a carne humana". Por essa razão, "a Encarnação também nos chama a um compromisso concreto de promover a fraternidade e a comunhão, para que a solidariedade seja o critério das relações humanas; pela justiça e pela paz; pelo cuidado com os mais vulneráveis e pela defesa dos fracos".
Queridos irmãos e irmãs, feliz domingo!
Neste segundo domingo após o Natal do Senhor, desejo, antes de mais nada, renovar as minhas saudações a todos vocês. Depois de amanhã, com o encerramento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluiremos o Jubileu da Esperança, e é precisamente o Mistério do Natal, no qual estamos imersos, que nos recorda que o fundamento da nossa esperança é a Encarnação de Deus. O Prólogo de João, que a liturgia também nos oferece hoje, recorda-nos isto: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). A esperança cristã, de fato, não se baseia em previsões otimistas ou cálculos humanos, mas na decisão de Deus de partilhar a nossa caminhada, para que nunca estejamos sozinhos na jornada da vida. Esta é a obra de Deus: em Jesus, Ele se fez um de nós, escolheu estar conosco, quis ser para sempre Deus-conosco.
A vinda de Jesus na fragilidade da carne humana, ao mesmo tempo que reacende a esperança em nós, também nos confia um compromisso duplo: um com Deus e outro com a humanidade. Com Deus, porque se Ele se fez carne, se escolheu a nossa fragilidade humana como Sua morada, então somos sempre chamados a pensar em Deus à luz da carne de Jesus e não a partir de uma doutrina abstrata. Portanto, devemos sempre examinar a nossa espiritualidade e as formas como expressamos a nossa fé, para que sejam verdadeiramente encarnadas — isto é, capazes de pensar, orar e proclamar o Deus que vem ao nosso encontro em Jesus; não um Deus distante que habita num céu perfeito acima de nós, mas um Deus que está perto, que habita a nossa frágil terra, que se faz presente nos rostos dos nossos irmãos e irmãs e que se revela nas situações de cada dia.
Nosso compromisso com a humanidade deve ser igualmente coerente. Se Deus se fez um de nós, cada ser humano é um reflexo dele, carrega sua imagem e conserva uma centelha de sua luz; e isso nos chama a reconhecer em cada pessoa a dignidade inviolável de todos e a praticar o amor mútuo. Assim, a Encarnação também nos chama a um compromisso concreto de promover a fraternidade e a comunhão, para que a solidariedade seja o critério das relações humanas; da justiça e da paz; do cuidado com os mais vulneráveis e da defesa dos fracos. Deus se fez carne e, portanto, não há culto autêntico a Deus sem o cuidado com a carne humana.
Irmãos e irmãs, que a alegria do Natal nos encoraje a continuar nossa jornada, enquanto pedimos à Virgem Maria que nos torne cada vez mais disponíveis para servir a Deus e ao nosso próximo.
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