Críticas do Papa a Trump foram um passo extraordinário, afirma jesuíta

Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • Vicente Cañas. Manter um processo vivo por trinta anos é uma vitória no país da impunidade. Entrevista com Michael Nolan e Ricardo Pael Ardenghi

    LER MAIS
  • O Pentágono ameaçou o embaixador do Papa Leão XIV com o Papado de Avignon

    LER MAIS
  • Para o professor e pesquisador da UFPA, reterritorializar o debate sobre o acelaracionismo em termos amazônidas inaugura um amplo espectro de questões incontornáveis de nosso tempo

    Como pensar o aceleracionismo em um mundo que já acabou? Entrevista especial com Ricardo Evandro Martins

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Abril 2026

A ameaça de Trump de aniquilação do Irã não foi bem recebida no Vaticano. O Papa reagiu com críticas diretas ao presidente americano. Um filósofo alemão elogiou o compromisso de Leão XIV com a verdade moral.

A informação é publicada por katolisch.de, 09-04-2026. 

O jesuíta e filósofo Godehard Brüntrup considera a crítica direta do Papa Leão XIV ao presidente Donald Trump um passo extraordinário. O fato de o papa, nascido nos Estados Unidos, ter condenado explicitamente as ameaças de Trump contra o Irã o torna uma contra-autoridade moral dentro dos Estados Unidos, disse o jesuíta radicado em Munique ao portal online "domradio.de" na quinta-feira.

Com isso, o chefe da Igreja se afastou da tradicional contenção diplomática do Vaticano. "A intervenção de Leão XIV torna mais difícil para o governo alegar justificativa moral para suas ameaças, especialmente entre os cerca de 70 milhões de católicos americanos e 1,4 bilhão de católicos em todo o mundo."

Abandonando uma posição apartidária

Os Papas costumam se expressar em generalidades cuidadosamente ponderadas para manter a posição da Santa Sé como uma autoridade moral mediadora e apartidária, explicou o professor de metafísica, que também lecionou nos EUA por muitos anos. O fato de Leão XIV ter se dirigido diretamente ao presidente na terça-feira e criticado sua ameaça de aniquilação contra o Irã indica que o Papa acredita que um limite foi ultrapassado.

“Quando um chefe de Estado ameaça publicamente a destruição de uma civilização, a habitual indiretividade da diplomacia vaticana quase se transforma em cumplicidade”, disse o jesuíta. O ofício profético da Igreja exige que a verdade moral seja dita diante do poder. Brüntrup vê Leão XIV, nesse sentido, seguindo os passos do Papa João XXIII, que, durante a Crise dos Mísseis de Cuba, apelou diretamente a Kennedy e Khrushchev para garantir a paz. “Quanto mais séria a ameaça, maior a obrigação de ser específico e menos apropriadas se tornam as generalizações diplomáticas”, afirmou o filósofo.

Aumento do número de avisos

Brüntrup falou de uma "sequência crescente na própria retórica de Leão": apelos gerais ao diálogo no início de março, depois um apelo privado a Trump por uma "saída" na semana passada, a mensagem de Páscoa Urbi et orbi, na qual aqueles que possuem armas foram instados a depô-las, e agora uma condenação direta, transmitida ao vivo pela televisão em italiano e inglês, na qual a ameaça de Trump foi descrita como "inaceitável" e a guerra como "injusta" na opinião geral.

O jesuíta descreveu como particularmente extraordinário o fato de o Papa ter convocado os cidadãos americanos a recorrerem aos seus governos e representantes eleitos. "Este passo é especialmente incomum: transforma uma exortação espiritual em uma mobilização da sociedade civil."

Leia mais