Viver pela sua presença. Comentário de José Antonio Pagola

Foto: Vatican Media

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10 Abril 2026

A crise atual da Igreja, seus medos e sua falta de vigor espiritual têm origens profundas. Muitas vezes, a ideia da ressurreição de Jesus e de sua presença entre nós é mais uma doutrina do que uma experiência vivida.

O comentário é de José Antonio Pagolla, teólogo espanhol, publicado por Religión Digital, 14-07-2025.

Eis o comentário

O relato de João não poderia ser mais evocativo e desafiador. Somente quando veem Jesus ressuscitado em seu meio é que o grupo de discípulos se transforma. Eles recuperam a paz, seus medos desaparecem, são preenchidos por uma alegria desconhecida, sentem a presença de Jesus sobre eles e abrem as portas porque se sentem enviados para viver a mesma missão que ele recebeu do Pai.

A crise atual da Igreja, seus medos e sua falta de vigor espiritual têm origens profundas. Muitas vezes, a ideia da ressurreição de Jesus e de sua presença entre nós é mais uma doutrina pensada e pregada do que uma experiência vivida.

O Cristo ressuscitado está no coração da Igreja, mas a sua presença viva não está enraizada em nós, não está incorporada na própria essência das nossas comunidades e não alimenta normalmente os nossos projetos. Após vinte séculos de cristianismo, Jesus não é conhecido nem compreendido na sua originalidade. Ele não é amado nem seguido como foi pelos seus primeiros discípulos.

É imediatamente perceptível quando um grupo ou comunidade cristã se sente habitada pela presença invisível, porém real e ativa, de Cristo ressuscitado. Eles não se contentam em seguir rotineiramente as diretrizes que regem a vida da igreja. Possuem uma sensibilidade especial para ouvir, buscar, lembrar e aplicar o Evangelho de Jesus. São os espaços mais saudáveis e vibrantes dentro da Igreja.

Nada nem ninguém pode nos dar hoje a força, a alegria e a criatividade de que precisamos para enfrentar uma crise sem precedentes como a presença viva de Cristo ressuscitado. Privados de seu vigor espiritual, não emergiremos de nossa passividade quase inata, continuaremos com as portas fechadas para o mundo moderno, continuaremos fazendo "o que nos é ordenado", sem alegria ou convicção. Onde encontraremos a força necessária para recriar e reformar a Igreja?

Precisamos reagir. Precisamos de Jesus mais do que nunca. Precisamos viver pela sua presença viva, lembrar dos seus ensinamentos e do seu Espírito em todas as oportunidades, refletir constantemente sobre a sua vida e deixar que ele seja a inspiração para as nossas ações. Ele pode nos dar mais luz e força do que qualquer outra pessoa. Ele está entre nós, compartilhando conosco a sua paz, a sua alegria e o seu Espírito.

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