01 Abril 2026
"Deus não queria a morte de Jesus, e Jesus também não queria morrer na cruz, mas o preço que o justo deve pagar neste mundo é precisamente a morte, a condenação, deve ter o mesmo destino dos malfeitores", escreve Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado por Famiglia Cristiana, 29-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Em nossas vidas, há períodos e momentos de alegria, sucesso e plenitude de vida. Até mesmo Jesus, que era um homem como nós, profundamente humano, os experimentou e saboreou. Aquele dia de sua entrada em Jerusalém, cercado por sua comunidade jubilosa, enquanto Jesus se aproximava da cidade santa montado em uma jumenta mansa e humilde, aclamado como o filho de Davi, o Ungido do Senhor, ele deve ter sentido uma enorme euforia. Finalmente reconhecido!
Contudo, Jesus não se ilude: aqueles que gritavam "glória" logo o abandonarão e o julgarão merecedor de condenação, uma pessoa nociva à religião e à sociedade. Como foi possível tal traição? Como é possível que alguém considerado "bom" tenha sido condenado como mau? No entanto, aconteceu, e só há uma explicação: "Num mundo injusto, o justo, mais cedo ou mais tarde, sofrerá muitas coisas, será condenado, perseguido e, por vezes, morto!" (cf. Sabedoria 2,12-22).
Aconteceu a Jesus, aconteceu a muitos justos do Senhor serem perseguidos e condenados: profetas, justos, mártires... Deus não queria a morte de Jesus, e Jesus também não queria morrer na cruz, mas o preço que o justo deve pagar neste mundo é precisamente a morte, a condenação, deve ter o mesmo destino dos malfeitores. É assim que o justo cumpre a vontade de Deus: não se vinga, não causa ofensa, mas perdoa, intercede pelos seus perseguidores.
O mistério do mal é grande: parece vencer, parece subjugar os justos, mas, ao contrário, é vencido pela justiça desarmada, aquela de Jesus, o Filho de Deus.
O caminho pascal é precisamente este: ter as atitudes de Deus mesmo diante dos inimigos - sempre - e perdoar.
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