O aplicativo de oração Hallow enfrenta reação negativa por parceria de Quaresma com Tucker Carlson

Foto: Wikimedia Commons

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26 Fevereiro 2026

Na quarta-feira (18 de fevereiro), Tucker Carlson lançou o mais recente episódio do “The Tucker Carlson Show” no X, provocando intensa discussão online após anunciar que o Hallow, um aplicativo católico de oração e meditação, patrocinaria o programa durante a Quaresma.

A informação é de publicada por RNS, e reproduzida por Nathional Catholic Reporter, 24-02-2026. 

Durante o episódio, Carlson promoveu o desafio sazonal “Pray40” do Hallow, que incentiva os usuários a rezarem diariamente ao longo da Quaresma. O tema deste ano, “The Return” (O Retorno), é centrado na parábola do filho pródigo, uma história bíblica sobre arrependimento e perdão.

“É o melhor aplicativo de oração que existe”, disse Carlson durante o momento do patrocínio. “Você é responsável pela sua próxima escolha, mesmo que tenha se comportado de maneiras profundamente ímpias — e todos nós já fizemos isso. Ganhe três meses grátis em Hallow.com/Tucker”.

O anúncio gerou reações polarizadas no X. Alguns usuários cristãos disseram que planejavam parar de usar o Hallow por causa da parceria com Carlson, enquanto outros elogiaram a colaboração. Vários usuários pediram boicotes ao aplicativo e a outros patrocinadores.

“Sim. Estou boicotando todos os seus patrocinadores”, escreveu um usuário. “@HallowApp @BlackRifle_Co Zero negócios da minha parte e de toda a minha família enquanto vocês se associarem a mentirosos contumazes”, escreveu outro. “Como o #HallowApp continua apoiando você?”, disse outro. “Cancelando minha assinatura do @HallowApp. Horrível”, escreveu mais um.

Outros defenderam a parceria. “FIQUEM FORTES, NÓS APOIAMOS VOCÊS”, escreveu um usuário no X.

Carlson afirmou que o Hallow seria um dos patrocinadores do programa durante a Quaresma, ao lado da Cowboy Colostrum, que vende colostro bovino de vacas alimentadas com pasto — uma secreção das glândulas mamárias coletada nas primeiras 24 horas após o parto — e da Black Rifle Coffee, que enfrenta uma ação coletiva federal alegando que sua marca induz consumidores a acreditarem que o café é produzido integralmente nos Estados Unidos.

Carlson, que se desligou da Fox News em 2023, agora apresenta o “The Tucker Carlson Show” no X e no YouTube, onde os episódios frequentemente alcançam milhões de visualizações. O episódio publicado na quarta-feira, 18 de fevereiro, que coincidiu com o início da Quaresma, apresentou uma entrevista de uma hora com Fares Abraham, pastor evangélico e palestino-americano. Abraham descreveu sua infância em Beit Sahour, cidade majoritariamente cristã a sudeste de Belém, e falou sobre o que caracterizou como os efeitos da ocupação israelense sobre as comunidades cristãs locais.

Carlson apresentou a entrevista como um esforço para destacar as experiências dos cristãos do Oriente Médio e para se antecipar a acusações de antissemitismo, que, segundo ele, críticos teriam feito contra sua cobertura sobre Israel e a guerra em Gaza. No episódio, afirmou que a conversa pretendia focar no tratamento dos cristãos no que tradicionalmente é considerado o local de nascimento de Jesus.

“Não há motivo para qualquer conversa sobre política externa americana se transformar em judeus contra todos os outros”, disse Carlson. Ele acrescentou que conversar com cristãos do Oriente Médio é “uma maneira importante de manter a conversa onde ela deveria estar”.

No último ano, Carlson recebeu críticas de diferentes espectros políticos por entrevistas com figuras controversas. Em outubro, alguns espectadores disseram que ele não confrontou adequadamente o comentarista de extrema-direita Nick Fuentes durante uma entrevista. Fuentes já expressou publicamente opiniões hostis contra minorias, judeus e mulheres.

À medida que as críticas à parceria com o Hallow se espalhavam no X e no YouTube, alguns espectadores também mencionaram a alegação de Carlson durante o programa, noticiada pelo The Daily Mail, de que autoridades israelenses o teriam detido brevemente em um aeroporto e questionado um membro de sua equipe de produção após ele gravar uma entrevista com Mike Huckabee, embaixador dos EUA em Israel.

Em uma publicação no X mais tarde naquele dia, Oren Marmorstein, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, contestou as alegações de Carlson, afirmando: “Ao contrário dos relatos, Tucker Carlson e seu grupo não foram detidos, atrasados ou interrogados. O Sr. Carlson e sua equipe foram educadamente submetidos a algumas perguntas de rotina, de acordo com procedimentos padrão aplicados a muitos viajantes.”

Os comentários na publicação de 18 de fevereiro de Carlson anunciando o patrocínio do Hallow ficaram repletos de expressões de surpresa com a parceria, além de críticas ao que muitos comentaristas disseram serem alegações falsas feitas por ele sobre as autoridades israelenses.

Na sexta-feira, Carlson divulgou a entrevista de três horas com Huckabee, em um episódio intitulado: “The Mike Huckabee interview, and the truth about America’s deeply unhealthy relationship with Israel” (A entrevista com Mike Huckabee e a verdade sobre a relação profundamente doentia da América com Israel). Na entrevista, Carlson questionou o ex-governador do Arkansas sobre a política dos EUA em relação a Israel e sobre a situação do cristianismo no país — uma linha de questionamento que alguns espectadores online disseram reforçar o que veem como críticas cada vez mais antissemitas por parte de Carlson.

Enquanto isso, alguns comentários de Huckabee durante a entrevista provocaram a ira de líderes de Estados árabes e muçulmanos. Huckabee disse a Carlson que “estaria tudo bem se eles ficassem com tudo”, em resposta à pergunta sobre se Israel teria um direito bíblico a “basicamente todo o Oriente Médio”, incluindo terras na Jordânia, Síria, Líbano e partes da Arábia Saudita e do Iraque. Huckabee rapidamente acrescentou que a expansão para esses territórios não é algo que Israel esteja tentando fazer ativamente e posteriormente afirmou que seus comentários foram tirados de contexto.

O Hallow foi fundado em 2018 por Alex Jones, empreendedor de tecnologia (não confundir com a figura midiática controversa de mesmo nome), junto com Erich Kerekes e Alessandro DiSanto.

A empresa, sediada em Chicago, oferece orações guiadas, meditações, exercícios de leitura da Bíblia, música e programas focados em sono e formação espiritual. As assinaturas custam US$ 10,99 por mês. Em 2023, mais da metade dos usuários do Hallow tinha 35 anos ou menos, segundo a empresa. Dezesseis por cento dos usuários tinham entre 18 e 34 anos, de acordo com a Fox News.

O aplicativo fez parcerias com diversas celebridades durante a Quaresma, incluindo Mark Wahlberg, Chris Pratt, Jonathan Roumie e Gwen Stefani, e enfrentou críticas por associações com conservadores alinhados ao movimento MAGA, incluindo Isabel Brown, comentarista cristã conservadora com um programa de rádio no The Daily Wire. Alguns católicos criticaram o Hallow por ampliar sua marca de um aplicativo de oração católico para uma plataforma cristã mais geral. A parceria com Carlson, que é episcopal, reacendeu essas críticas.

O Hallow não respondeu a um pedido de comentário até o momento da publicação. No entanto, não é a primeira vez que o aplicativo enfrenta críticas por um patrocínio. No ano passado, a empresa suspendeu sua parceria com Russell Brand após o ator inglês ser acusado de estupro e outros crimes sexuais.

“Não estamos mais anunciando no programa do Russell”, disse Jones à OSV News em abril de 2025. Mais recentemente, críticos também se opuseram ao que descrevem como uma dinâmica de “pagar para rezar”.

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