20 Fevereiro 2026
Não satisfeita em bater recordes de produção, exportação e reposição de reservas de petróleo e de querer avançar sobre a Foz do Amazonas mesmo após o vazamento de fluido de perfuração que impacta a fauna e o meio ambiente, como mostra o Ibama, a Petrobras já está de olho na Venezuela. A estatal brasileira poderá voltar a explorar combustíveis fósseis no país vizinho, após a invasão promovida em janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a consequente deposição de Nicolás Maduro.
A reportagem é publicada por ClimaInfo, 19-02-2026.
A troca de dívidas acumuladas pelo governo venezuelano com o Brasil por ativos petrolíferos é uma das opções estudadas pelo governo federal para viabilizar o retorno da Petrobras ao setor petrolífero da Venezuela, informam CNN Brasil, Vero Notícias, Click Petróleo e Gás, Brasil 247 e Rede Onda Digital. Lula pretende abordar o assunto no encontro com Trump, previsto para março. A ideia é conseguir aval do “agente laranja” para a operação.
Financiamentos liberados pelo BNDES com base em contratos com o governo da Venezuela na década passada não foram pagos. A dívida chega a US$ 1,8 bilhão (R$ 9,5 bilhões), e o Planalto avalia que existem chances remotas de pagamento desse valor no curto prazo.
Por isso, uma ideia levantada foi trocar esse valor por participações acionárias em ativos petrolíferos venezuelanos. Há três frentes nas quais se avalia que a Petrobras tem conhecimento e interesse: produção no Lago Maracaibo, onde se extrai um petróleo mais leve, mas com áreas em atividade desde a década de 1920 e hoje em declínio; produção na Bacia do Orinoco, que tem um óleo mais pesado e de menor valor no mercado internacional, mas para o qual a estatal brasileira detém expertise e capacidade logística para refinar; e refinarias na Venezuela, que estão bastante deterioradas, mas onde a Petrobras enxerga potencial de recuperação. Além disso, também é cogitada a possibilidade de investimentos exploratórios em gás offshore, ainda sem produção nos mares venezuelanos.
Na estatal brasileira, o sentimento é de que a nova lei do petróleo da Venezuela – aprovada pela Assembleia depois da captura de Maduro e já no governo de Delcy Rodríguez – é muito mais favorável ao investimento estrangeiro no setor. No entanto, uma fonte da Petrobras lembra que é cedo para considerar a instabilidade política como superada e para falar em segurança jurídica.
Um dos pontos lembrados é que o governo Trump durará somente mais três anos – pouco tempo no relógio da indústria do petróleo – e ninguém tem garantias sobre o futuro da Venezuela. Ou seja, a estatal brasileira conta claramente com o “agente laranja” como seu fiador no retorno ao país vizinho.
Nada surpreendente. Afinal, assim como Donald Trump, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, soltou um “Drill, baby, drill!”, em alto e bom som, durante uma fala em Houston, no Texas, no ano passado, sobre a Foz do Amazonas.
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