Urnas de 2026 serão reveladoras do engajamento gaúcho. Artigo de Edelberto Behs

Foto: luoman/Canva

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28 Novembro 2025

"Ele terá que repassar o capital político a um sucessor. E são vários na fila, em disputa. Mas quem ficar com o espólio assume os bônus (que são poucos) e os ônus, com todas as trapalhadas que o governo do capitão e a família do messias produziram", escreve Edelberto Behs, jornalista.

Eis o artigo.

O recuo do governo Trump no tarifaço de 40% sobre produtos brasileiros não foi um liberou geral. Alguns produtos e setores continuam sobretaxados, como, por exemplo, a indústria moveleira, tabaco e calçados. São três áreas importantes na economia do Rio Grande do Sul. Líderes desses setores têm esperança de que as negociações entre o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro Mauro Vieira tenham prosseguimento com resultados positivos.

Todo esse esforço talvez não seria necessário se o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) – ele pelo menos assim se apresenta – não tivesse proposto o tarifaço a Donald Trump a fim de pressionar o Judiciário brasileiro para que libertasse Jair Messias Bolsonaro da prisão. Lula talvez tenha informado Trump, na conversa que mantiveram, de que ele estava entrando numa canoa furada. Para a tropa de choque de Bolsonaro, Eduardo no comando, pouco importava se o tarifaço prejudicaria o comércio brasileiro, desde que o capitão fosse libertado.

É preciso lembrar essa trajetória permanentemente, para que a extrema-direita não inverta a história e coloque-a na conta de Lula por algum motivo qualquer – para isso se arranja uma narrativa apropriada. É preciso enfatizar à nação que essa foi uma conquista da diplomacia do governo brasileiro. Líderes gaúchos dos setores que ficaram de fora do recuo dos 40% no tarifaço lastimam que seus setores – e o Rio Grande do Sul – continuem prejudicados com a medida tomada pelo governo Trump. Arrependimento pode servir de alerta?

Convém lembrar alguns números. Tomando Bento Gonçalves como cidade polo da indústria moveleira, no segundo turno da eleição presidencial de 2022 o candidato Jair Messias Bolsonaro recebeu 55.971 votos, o equivalente a 75,80% do total no município. Em Santa Cruz do Sul, sede do tabaco, Bolsonaro conquistou 49.967 votos, ou seja, 60,15% do total. Não foi muito diferente na capital do calçado, Novo Hamburgo, onde angariou 95.799 votos, ou seja 68,4% do total.

Pode alguém argumentar que o expediente não é válido tomando apenas três municípios para a análise. Fiquemos então no Rio Grande do Sul. Bolsonaro teve 56,35% contra 43,65% depositados para Lula, dos 6.625.036 votos válidos computados nas urnas eletrônicas. Então, o povo do Rio Grande do Sul deu seu aval para quem, agora, está trazendo prejuízos ao setor produtivo, por conta de um capricho pessoal.

A eleição de 2022 é passado. Vejamos como o eleitorado gaúcho vai se posicionar em 2026, com os olhares mais focados nos polos coureiro-calçadista, moveleiro e setor do tabaco onde o baque foi direto. As urnas serão reveladoras da compreensão do eleitorado quanto ao descalabro que a extrema-direita aprontou, Bolsonaro à frente, tanto que bancou seu filho Eduardo para que se movesse nos Estados Unidos, sem precisar fritar hambúrgueres.

Com Bolsonaro preso na sede da PF em Brasília, termina, definitivamente, aquela narrativa fantasiosa “eu sou candidato”. Ele terá que repassar o capital político a um sucessor. E são vários na fila, em disputa. Mas quem ficar com o espólio assume os bônus (que são poucos) e os ônus, com todas as trapalhadas que o governo do capitão e a família do messias produziram.

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