Tarifaço de Trump: quanto o Rio Grande do Sul realmente perde?

Foto: PMPA

Mais Lidos

  • Centenas de aeronaves americanas prontas para atacar. Forças russas e chinesas estão realizando exercícios com Teerã

    LER MAIS
  • O crime em Itumbiara e a sociedade adoecida pelo machismo. Artigo de Nina Lemos

    LER MAIS
  • Pesquisadora e autora do livro Capitalismo Gore, lançado recentemente no Brasil, analisa como a violência contra minorias políticas resulta de um embaralhamento entre patriarcado e lucratividade midiática que transforma líderes extremistas em chefes de estado

    O desafio de transcender o ódio, combustível da extrema-direita, para superar a teocracia midiática. Entrevista especial com Sayak Valencia

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Agosto 2025

Simulação indica que o impacto do tarifaço pode ser menor do que se imagina, embora perdas sejam inevitáveis. 

O artigo é de Henrique Morrone, professor de Economia da UFRGS, e Samuel Volkweis Leite, professor do Departamento de Matemática da UFRGS, publicado por Sul21, 18-08-2025.

Eis o texto.

O tarifaço anunciado por Donald Trump promete abalar o comércio internacional. Mas qual será o efeito real sobre a economia gaúcha, conectada aos Estados Unidos? A resposta pode ser estimada por meio da Matriz de Insumo-Produto do Rio Grande do Sul, que mapeia as relações entre setores e permite calcular os impactos de choques externos.

Em 2024, 47% das exportações de calçados do estado foram destinadas aos EUA, 9% do tabaco e 25% da carne bovina (percentual nacional, adotado por falta de dados estaduais). Aplicando esses números à matriz, produto por produto (117 no total), estimou-se que a redução dessas exportações causaria uma queda de 0,30% na produção total do Rio Grande do Sul.

A simulação considera um cenário extremo: a eliminação completa da demanda final desses produtos nos EUA. Sem uma lista completa dos bens afetados, partiu-se da lista de isenções para identificar os sobretaxados. Foram analisados os três produtos mais relevantes — carne bovina, tabaco e calçados — enquanto a carne suína foi excluída por falta de dados.

O resultado indica que, ao menos para esses três produtos, o impacto do tarifaço pode ser menor do que se imagina, embora perdas sejam inevitáveis. Vale lembrar que a desaceleração do restante do Brasil também afetará a economia gaúcha por meio das cadeias produtivas — efeito não incorporado nesta simulação.

Para reduzir vulnerabilidades, será essencial diversificar mercados e fortalecer cadeias produtivas internas, garantindo que decisões comerciais em Washington não determinem o ritmo do desenvolvimento regional.

Leia mais