Greta Thunberg relata a tortura que sofreu após o sequestro israelense da Flotilha Global Sumud

Foto: Ministério das Relações Exteriores de Israel

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16 Outubro 2025

A ativista sueca relatou como Israel a maltratou em uma longa entrevista ao meio de comunicação sueco Aftonbladet.

A reportagem é publicada por El Salto Diario, 15-10-2025.

A ativista Greta Thunberg fazia parte da Flotilha Global Sumud, interceptada ilegalmente em águas internacionais pela Marinha israelense em 30 de setembro. Pela primeira vez, ela relatou a tortura e os maus-tratos que sofreu nas mãos das autoridades israelenses. Ela o fez em uma longa entrevista ao veículo de comunicação sueco Aftonbladet.

Embora não seja a única detida ou torturada, Thunberg é uma figura global, o que, além do interesse despertado por seu caso, levou-a a receber tratamento diferenciado em relação aos demais, com insultos específicos e um interrogatório direto do ministro do Interior israelense, o fundamentalista Itamar Ben Gvir. Além disso, Thunberg aproveitou a entrevista para denunciar a forma como a Suécia lidou, tanto por meio de seu Ministério das Relações Exteriores quanto da Embaixada em Israel, com as prisões de cidadãos suecos no contexto da Flotilha.

Após o ataque da Marinha israelense, membros do barco Family que transportava Thunberg foram levados para o porto de Ashdod. Após desembarcar, um grupo de policiais a espancou. Ela foi jogada no chão e permaneceu lá por tempo indeterminado, frequentemente espancada. Em seguida, foi levada para um canto, onde começaram os insultos específicos: "Greta, prostituta" (em sueco).

A entrada de Ben Gvir, segundo seu relato, foi acompanhada por gritos de "Vocês são terroristas! Vocês querem matar bebês judeus!" Segundo seu relato, o ministro do Interior se dirigiu a ela diretamente: "Eu pessoalmente garantirei que você seja tratada como uma terrorista e que apodreça na prisão. Você é do Hamas. Você é uma terrorista. Você quer matar bebês judeus", ela relata ela ter ouvido do ministro israelense.

Thunberg descreve uma série de outros abusos e humilhações, desde destruir ou danificar suas bagagens até jogar fora os medicamentos dos detentos (alguns dos quais para tratar diabetes), mantê-los ao ar livre, apertar as braçadeiras usadas para amarrar suas mãos ou levar os detentos para celas com água contaminada e sem comida.

A ativista climática também descreve como um grupo de detidos foi enjaulado ao sol; eles também foram ameaçados de serem "gaseados". No passado, Israel recebeu vários pedidos do Comitê da ONU contra a Tortura por violar a Convenção da ONU contra a Tortura, que o estado sionista ratificou em 1991.

Apesar dos danos que sofreu, Thunberg explica na entrevista que não quer que os holofotes estejam sobre ela, embora reconheça que os maus-tratos e a tortura que sofreu demonstram "que se Israel, com o mundo inteiro assistindo, pode tratar uma pessoa branca conhecida com passaporte sueco dessa maneira, imagine o que eles fazem com os palestinos a portas fechadas".

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