23 Agosto 2025
"Esta obra não foi feita para ser lida para aprender. Foi feita para ser vivenciada para mudar. Foi feita para ser compartilhada para amar. Porque falar sobre Deus hoje ainda é possível. É lindo. É assustador. E este dicionário, se nos for permitido falar, pode se tornar uma ferida que ilumina".
O artigo é de Maurizio Buioni, publicado por Settimana News, 20-08-2025.
Eis o artigo.
Neste Jubileu da Esperança, a Igreja se apresenta como "em saída". Mas em saída para onde? E ao encontro de quem? O Papa Francisco acendeu o desejo de proximidade, o Papa Leão XIV o reafirmou com força. No entanto, em meio ao barulho do mundo, a voz da Igreja corre o risco de se confundir com mil outras. Não basta falar de Deus. É preciso aprender a fazê-lo com apreensão.
Dietrich Bonhoeffer alertou: "Falar de Deus significa manter-se em silêncio". E talvez seja precisamente este o ponto: não precisamos mais de palavras que expliquem, mas de palavras que abram. Não de ferramentas que ensinem, mas de companheiros que acompanhem.
O novo dicionário da Bíblia
Nesse contexto, nasceu o Dicionário Bíblico para a Nova Evangelização (EDB, 2025), um projeto editorial que não visa resolver, mas inquietar. Não simplificar, mas aprofundar. Não converter, mas provocar reflexão.
A ideia nasceu da mente apaixonada de Vincenzo Brosco, apoiada pelo padre Armando Sansone, com o aconselhamento teológico da professora Alessia Brombin e do escritor padre Maurizio Buioni, sem mencionar a apresentação frutífera e pertinente da obra pelo Cardeal Angelo De Donatis.
A obra foi desenvolvida graças às contribuições de mais de 80 autores — entre os mais renomados estudiosos bíblicos e teólogos de renome internacional — que criaram um mosaico de 252 verbetes. Cada verbete é enriquecido por textos das tradições judaica e cristã, do primeiro ao segundo milênio, em um diálogo que abrange séculos, culturas e sensibilidades.
O banquete está pronto, mas os convidados estão em outro lugar. O Papa Francisco evocou frequentemente a parábola do rei que convida para as bodas: "Ide, pois, às encruzilhadas e chamai todos os que encontrardes" (Mt 22,9). Mas hoje, as encruzilhadas são digitais. As ruas são virtuais. E os convidados estão distraídos, saturados, cansados.
O dicionário se esforça para oferecer palavras que exalem um senso de celebração. Mas o risco é que, ao tentar tornar o Evangelho "acessível", ele se torne inócuo. Porque o Evangelho não é confortável. É cortante. É ardente. Simone Weil escreveu: "O Evangelho não consola. Ele exige." E essa necessidade, hoje, é mais urgente do que nunca. Não se trata de tornar a fé "agradável", mas de restaurar seu poder de verdade.
Uma obra que não ensina, mas questiona
O primeiro volume do dicionário (de A a L) já está disponível. O segundo, previsto para este outono, completará o projeto. Entre suas características: uma linguagem que prima pelo rigor sem sacrificar a ternura. Uma pluralidade de vozes, com forte presença feminina, rompe a uniformidade teológica. Uma abordagem que entrelaça exegese, liturgia, espiritualidade, história e cultura.
Cada entrada é enriquecida com referências bíblicas, textos da tradição judaico-cristã e uma bibliografia básica. Mas o que importa não é a estrutura. É o espírito. E o espírito que anima esta obra é o do buscador, não o do mestre. Do peregrino, não o do oficial.
O Papa Leão XIV disse: "A Igreja precisa de discípulos amorosos, não de oficiais do sagrado." Mas o amor, para ser verdadeiro, precisa atravessar o deserto. Precisa conhecer a dúvida. Precisa aceitar, não compreender.
Não explicando, mas compartilhando o mistério
Vivemos imersos em uma revolução digital. A inteligência artificial nos responde antes mesmo de fazermos uma pergunta. Relacionamentos se deterioram rapidamente. A fé, para sobreviver, precisa parar de ser transmitida como dados. Ela precisa se tornar experiência.
Karl Rahner previu: "O cristão do futuro será um místico, ou não o será". E o místico não fala para convencer. Ele fala porque viu. Porque ouviu. Porque sofreu. O dicionário, nesse sentido, não é um manual. É um convite. A pensar. A duvidar. A contemplar. A deixar-se ferir pela Palavra.
Henri Nouwen escreveu: "A Palavra de Deus não é para ser compreendida, mas para ser habitada". E habitar a Palavra significa permitir-se ser transformado. Não por conceitos, mas por relacionamentos. Não por definições, mas por encontros.
Falar sobre Deus hoje é um ato de nudez. Não é apenas possível. É necessário. É urgente. Mas também é arriscado. Porque falar sobre Deus hoje significa se expor. Significa abrir mão do controle. Significa aceitar que a verdade não é uma posse, mas uma dádiva.
O Dicionário Bíblico para a Nova Evangelização não é a resposta. É uma pergunta. É um limiar. É uma voz que sussurra: "Não tenham medo. Abram as portas a Cristo" (João Paulo II). Mas abrir as portas também significa deixar o vento entrar. E o vento não pode ser controlado.
Esta obra não foi feita para ser lida para aprender. Foi feita para ser vivenciada para mudar. Foi feita para ser compartilhada para amar. Porque falar sobre Deus hoje ainda é possível. É lindo. É assustador. E este dicionário, se nos for permitido falar, pode se tornar uma ferida que ilumina.
"A Palavra em Palavras. Dicionário Bíblico para a Nova Evangelização", livro de Vincenzo Brosco.
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