Abuso: a teóloga Ute Leimgruber alerta sobre teologia perigosa

Foto: Liia Galimzianova/Canva

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08 Agosto 2025

Segundo a teóloga pastoral de Regensburg, Ute Leimgruber, o abuso na Igreja Católica está intimamente ligado a tradições teológicas tóxicas ou prejudiciais. Em palestras nas Semanas Universitárias de Salzburgo, a acadêmica enfatizou que a teologia não é neutra: "As teologias não são simplesmente inocentes. Nas mãos dos perpetradores, podem se tornar armas".

A informação é publicada por Katholisch, 06-08-2025.

Leimgruber enfatizou em Salzburgo que os abusadores recorrem repetidamente a justificativas teológicas para preparar, justificar e garantir permanentemente suas ações. Relatos de vítimas mostram que os agressores deliberadamente "instrumentalizam estrategicamente" passagens bíblicas para legitimar religiosamente suas ações. Por exemplo, a afirmação "Deus é amor" é mal utilizada por padres que retratam seus abusos como uma expressão do amor divino. Contextos pastorais íntimos, como confissão ou orientação espiritual, são particularmente explosivos: "Situações de conversação íntima, como a confissão, carregam um potencial de risco tóxico aumentado", disse Leimgruber.

Reversão agressor-vítima

Nessas situações, os perpetradores muitas vezes se retratam como atores "in persona Christi", o que leva a uma inversão fatal da relação perpetrador-vítima: "O perpetrador se torna Deus e Deus se torna o perpetrador — e, como vítima, ninguém se rebela contra ele".

A partir dessas percepções, Leimgruber deriva o apelo por uma "teologia sensível à vulnerabilidade". Esta deve examinar criticamente o conteúdo e as tradições teológicas em busca de seu "potencial de dano" e analisar até que ponto podem contribuir inconscientemente para a legitimação do abuso ou a vitimização de vítimas. A teologia não é uma disciplina puramente acadêmica, mas "uma prática físico-social que opera em contextos concretos — às vezes até de forma destrutiva".

Demanda por uma nova cultura teológica

O objetivo de uma nova cultura teológica não é a rejeição total dos ensinamentos religiosos, mas sim uma abordagem consciente, crítica ao poder e sensível ao contexto. Isso inclui reconhecer ambivalências, refletir sobre o impacto das declarações teológicas e trabalhar preventivamente na educação e no cuidado pastoral.

Leimgruber é um dos inúmeros palestrantes das Semanas Universitárias de Salzburgo, que acontecem na Universidade de Salzburgo até 10 de agosto. O objetivo deste tradicional evento de verão é examinar questões sociais e eclesiásticas atuais sob uma perspectiva interdisciplinar – este ano, de acordo com o lema, com foco nas influências que melhoram a vida e nas que "envenenam".

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