04 Agosto 2025
"Em primeiro lugar, a ideia de estar diante de jovens comuns, também munidos der smartphones e mundos virtuais, mas que ao mesmo tempo se nutrem de relacionamentos cara a cara e do companheirismo construtivo. Jovens de rostos mediamente limpos, mas não ingênuos; com menos tatuagens e piercings do que o habitual; com olhares predominantemente serenos e luminosos; felizes por 'estar ali' e 'viver uma experiência de fé e de amizade planetária'".
O artigo é de Franco Garelli, sociólogo italiano, publicado por La Stampa, 03-08-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Vinte e cinco anos atrás, no Jubileu de 2000, dois milhões de jovens católicos afluíram a Roma para celebrar a Jornada Mundial da Juventude. Um grande evento, uma enorme participação que, porém, foi recebida de forma controversa pela grande mídia. Por alguma razão, falava-se da multidão de presentes, mas também da imensa massa de ausentes ou daqueles que se manifestavam diversamente, visto que justamente naquele período também estava sendo celebrada no centro da catolicidade uma Parada do Orgulho Gay "demonstrativa". Mas o maior contraste surgiu quando alguém lembrou que naqueles dias de agosto, na costa do Adriático (em uma área equivalente à de Tor Vergata), havia um igual número de jovens fornicadores ao dos penitentes em Roma.
Isso para dizer que muitos jovens haviam respondido ao convite do Papa Wojtyla, mas muitos mais haviam escolhido ficar à beira-mar. Com o encontro de hoje, essas contraposições desapareceram. Os jovens são um pouco menos, mas ainda assim cerca de um milhão, porque a secularização se faz sentir e a fé está se purificando. Mas, mesmo em formato mais enxuto, estão conquistando uma atenção pública sem precedentes. Não estão presentes apenas os clérigos que celebram um tanto enfaticamente "a melhor juventude" da área católica engajada, mas também muitos comentaristas leigos e muitas pessoas comuns que parecem, de alguma forma, "mimar" essas jovens testemunhas de uma fé atualizada. Porque é grande a esperança que emana de Tor Vergata. Em primeiro lugar, a ideia de estar diante de jovens comuns, também munidos der smartphones e mundos virtuais, mas que ao mesmo tempo se nutrem de relacionamentos cara a cara e do companheirismo construtivo. Jovens de rostos mediamente limpos, mas não ingênuos; com menos tatuagens e piercings do que o habitual; com olhares predominantemente serenos e luminosos; felizes por "estar ali" e "viver uma experiência de fé e de amizade planetária".
Jovens crentes, portanto, que não estão fora do mundo, que diariamente têm que se confrontar com amigos e companheiros de estudo/trabalho que consideram Jesus uma fake news ou consideram a fé religiosa uma questão de "menores de idade", se não mesmo de "retardados"; por isso, aproveitam momentos coletivos como a JMJ para discutir o sentido de uma crença que lhes oferece horizontes que os outros não percebem. Trata-se também de um caminho de fé (de uma busca de fé) laborioso e fecundo, fortemente ligado ao tema da convivência pacífica entre os povos, sensível aos grandes dramas que a humanidade está vivendo, de Gaza a Kiev, da situação ecológica do planeta a um mundo cheio de descartes humanos. Embora órfãos de Francisco, muitos desses jovens já entraram em plena sintonia com Leão, de quem extraem força, motivação e confiança, e a quem oferecem seu apoio para que continue a chamar os poderosos da Terra às suas responsabilidades. Eis, então, o protagonismo dos jovens no Jubileu de 2025. No entanto, são indivíduos únicos, que participam não tanto por estarem vinculados a uma associação (embora muitos o sejam) ou porque o evento tem um caráter institucional. Mas, antes de tudo, como buscadores de propostas e experiências que sejam significativas em termos humanos/comunitários e de fé. Sua flexibilidade parece estar moldando uma nova maneira de interpretar a experiência religiosa, que, mais do que ser afetada por instâncias individualistas, tende a afirmar os valores da autenticidade.
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