Impunidade segue como obstáculo contra grilagem na Amazônia

Foto: Felipe Werneck/IBAMA

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

02 Agosto 2025

Apenas 7% das decisões judiciais resultam em condenações; maior parte dos processos tramita no Pará.

A informação é publicada por ClimaInfo, 31-07-2025. 

Um novo relatório publicado pelo Imazon detalha o nível de impunidade dos crimes de grilagem na Amazônia brasileira. Segundo levantamento feito com base em processos criminais com decisões até maio de 2022, apenas 7% dos casos resultaram em condenação. O estudo analisou 526 decisões envolvendo 193 réus em 78 processos, sendo a maioria em tramitação em varas federais no Pará (60%), seguido do Amazonas (15%) e Tocantins (8%).

De acordo com o Imazon, quase metade (42%) das ações não informaram o tamanho da área-alvo de possível grilagem, mas 18% envolviam territórios acima de 10 mil hectares. Além disso, 8% dos processos tratam de áreas superiores a 50 mil hectares, o equivalente à cidade de Porto Alegre.

A pesquisa avaliou separadamente as decisões para cada crime atribuído aos 193 réus. Entre os crimes mais comuns estão invasão de terra pública, falsidade ideológica, estelionato e associação criminosa. Os desfechos mais frequentes são absolvição (em 185 casos, 35%) e prescrição (em 172 casos, 33%). As condenações referem-se a apenas 24 dos 193 réus (12%).

“A grilagem de terras públicas é uma das engrenagens centrais da destruição da Amazônia. Ela alimenta um ciclo de destruição ambiental, especulação fundiária e violência no campo, afirma Lorena Esteves, pesquisadora do Imazon e uma das autoras da pesquisa.

Entre as dificuldades encontradas para análise dos processos estão a falta de informações referentes ao detalhe dos casos, o tamanho da área grilada e a morosidade no julgamento. O tempo médio entre o início das ações até a decisão final é de seis anos – com 17% dos casos demorando entre 13 e 18 anos.

Ao Brasil de Fato, a pesquisadora Brenda Brito destaca a evidência da dificuldade em responsabilizar os envolvidos em grilagens: “A consequência é o estímulo que isso pode causar para a continuidade desses crimes”.

O relatório recomenda aos Poderes Executivo e Legislativo a criação de leis para aumentar as penas para crimes envolvendo grilagem. Ao Judiciário recomenda a consolidação do entendimento da ocupação ilegal de terras públicas ser crise de natureza permanente – ou seja, enquanto a área estiver ocupada, o crime está ocorrendo. O levantamento reforça também a importância do governo notificar os ocupantes ilegais para que saiam das terras públicas, uma prova que se revelou importante nos processos.

Em tempo 1

O Ministério Público Federal (MPF) quer transferir à União a gestão da Reserva Extrativista Jaci-Paraná, em Rondônia, dadas as invasões de grileiros, garimpeiros, pecuaristas e caçadores. De 2012 e 2022, a área ocupada pela agropecuária na RESEX saltou 239%, enquanto a de floresta caiu de 77% para 25%. O MPF alega omissão do estado na proteção da área, informa ((o)) eco.

Em tempo 2

Na última 3ª feira (29/7), uma operação do IBAMA no Projeto de Assentamento Chapadão, localizado entre os municípios de Santarém e Prainha (PA), embargou 850 hectares de terras, apreendeu gado e aplicou mais de R$ 5 milhões em multas. De acordo com o IBAMA, a região situada em gleba federal destinada à reforma agrária tem sido sistematicamente invadida por grileiros e exploradores ilegais de recursos florestais. O g1 detalhou a ação.

Leia mais