COP30: Science defende mudanças em políticas do Brasil em prol do clima

Foto: Ricardo Stuckert | PR

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25 Março 2025

A ambiguidade do governo brasileiro sobre o fim dos combustíveis fósseis compromete a liderança do país para a COP30, alerta a prestigiada revista científica.

A informação é publicada por ClimaInfo, 24-03-2025.

A revista Science dedicou seu editorial mais recente à situação do Brasil enquanto anfitrião da próxima Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontecerá em novembro na cidade de Belém (PA). Apesar de reconhecer avanços recentes, especialmente no Ministério do Meio Ambiente, um dos periódicos científicos mais prestigiados do mundo alertou para o risco das políticas em outros setores do governo comprometerem o papel de liderança internacional que o país pretende desempenhar nas negociações climáticas deste ano.

“Para que a COP30 seja eficaz em liderar o mundo para reverter seu curso desastroso em direção a um ponto de inflexão climática, será necessário não apenas interromper o desmatamento, mas também facilitar uma rápida eliminação mundial da combustão de combustíveis fósseis. No entanto, como anfitrião da conferência, o Brasil não está liderando pelo exemplo”, destacou a Science.

O texto lembra projetos polêmicos que contam com apoio do governo federal, como a reconstrução do “Trecho do Meio” da BR-319, que pode intensificar o desmatamento entre o sul do Amazonas e o norte de Rondônia, mas dá destaque especial aos planos da Petrobras para explorar a região do foz do rio Amazonas.

“O plano atual do Brasil é continuar perfurando petróleo até que o país atinja ‘o nível [econômico] dos países desenvolvidos’, o que é uma fórmula para o desastre climático”, observou a revista. “Isso porque novos campos [de petróleo] implicam extração de longo prazo, (…) muito depois que o mundo tiver que abandonar os combustíveis fósseis”.

Para a Science, a COP30 pode ser uma oportunidade para o Brasil assumir a liderança climática internacional e redirecionar suas políticas públicas nos diferentes setores governamentais para a ação climática efetiva. A revista elencou os impactos que o Brasil já experimenta com a crise climática, como a seca que atingiu a maior parte do país em 2024 e as chuvas históricas no Rio Grande do Sul em abril passado.

“Faria todo o sentido para o Brasil assumir a liderança na luta contra ao aquecimento global não apenas pela oportunidade proporcionada pela realização da COP30 e pela importância das próprias emissões potenciais do país, mas também pelo impacto catastrófico que pode experimentar se o aumento da temperatura global escapar do nosso controle”, concluiu.

Coautor do texto da Science, o cientista Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), defendeu que o Brasil precisa agir e liderar pelo exemplo na luta contra as mudanças climáticas. Em entrevista ao Valor, Fearnside pontuou que mesmo os avanços recentes no combate ao desmatamento na Amazônia podem ser perdidos se projetos como a BR-319 saírem do papel.

“[Esses projetos] levarão à emissão de gases de efeito estufa por décadas no futuro. Hoje está se abrindo uma fronteira para a parte oeste do Amazonas, e isso também está relacionado ao petróleo. Tem um grande projeto para a área sedimentar do Solimões, que seria acessado a partir da BR-319, uma obra que leva ao desmatamento e aos incêndios florestais”, observou.

Estadão e Poder360 também repercutiram o editorial.

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