Papa Francisco confronta tradicionalistas da liturgia

Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • A IA não é nem inteligente, nem artificial. Intenções humanas, extrativismo e o poder por trás das máquinas

    Parasita digital (IA): a pirataria dos saberes que destrói recursos naturais alimentada por grandes data centers. Entrevista especial com Miguel Nicolelis

    LER MAIS
  • Irã, uma trégua de Pirro para Trump

    LER MAIS
  • Celibato é "um ótimo estilo de vida" – mas estou aberto a mudanças, diz o arcebispo de Viena

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Janeiro 2025

O Papa Francisco nunca hesitou em criticar os representantes "retrógrados" da Igreja. No entanto, suas declarações mais recentes sobre o tradicionalismo litúrgico em sua Igreja dificilmente poderiam ser mais incisivas.

A informação é publicada por Katolish.de, 14-01-2025.

O Papa Francisco fez duras críticas a representantes ultraconservadores da Igreja que continuam apegados à chamada Missa Tridentina. O Papa havia limitado fortemente esse rito litúrgico, no qual o sacerdote celebra em latim e de costas para os fiéis. Em sua autobiografia "Esperança", publicada na terça-feira, ele justificou essa polêmica decisão afirmando que não é produtivo transformar a liturgia em uma questão ideológica.

"É curioso esse fascínio pelo incompreensível, pelo som misterioso, que muitas vezes desperta o interesse das gerações mais jovens", disse o Papa. "Essa postura rígida geralmente vem acompanhada de vestes preciosas e caras, com bordados, rendas e estolas". Francisco criticou, afirmando que isso não é uma alegria pela tradição, mas pura ostentação de clericalismo, não um retorno ao sagrado, mas uma modernidade sectária.

Distúrbios emocionais e problemas comportamentais

"Às vezes, por trás dessas vestimentas, escondem-se desequilíbrios graves, distúrbios afetivos, problemas de comportamento ou um desconforto pessoal que pode ser instrumentalizado", escreveu o Papa. Ele relatou que enfrentou essa problemática em quatro ocasiões durante seu pontificado: três na Itália e uma no Paraguai.

Esses casos envolviam dioceses que aceitavam candidatos ao sacerdócio rejeitados por outros seminários. "Esses candidatos geralmente têm algo de errado, algo que os leva a esconder sua personalidade por trás de conceitos rígidos e sectários", alertou Francisco.

Ele também classificou como hipocrisia as resistências internas da Igreja contra a abertura dos sacramentos para divorciados recasados e contra a bênção de casais homossexuais. "O tradicionalismo, essa insistência recorrente em uma 'retrógrada' em cada século, é um fenômeno sociologicamente interessante, pois sempre remete a um tempo supostamente perfeito, mas que muda a cada ocasião", escreveu o pontífice, de 88 anos.

Leia mais