30 Outubro 2024
A Rússia afirmou nesta terça-feira (29) ter realizado novos exercícios militares nucleares, sob a supervisão do presidente Vladimir Putin, que recentemente mencionou a possibilidade de utilização destas armas no contexto do conflito na Ucrânia.
A reportagem é publicada por RFI, 29-10-2024.
O Ministério da Defesa russo afirmou num comunicado que “cumpriu integralmente” os objetivos definidos durante as manobras que incluíram “lançamentos de mísseis balísticos e de cruzeiro” e reuniram forças de “dissuasão estratégica terrestre, naval e aérea”.
“Todos os mísseis atingiram seus alvos”, celebrou o ministério.
Num vídeo divulgado por seus serviços, o ministro da Defesa, Andrei Belussov, explicou ao chefe de Estado russo que um dos testes previstos consistia em simular “um ataque nuclear massivo (…) em resposta a um ataque nuclear inimigo”.
Na abertura dos exercícios, Vladimir Putin afirmou que o uso de armas nucleares continuava a ser “uma medida excepcional” para Moscou. Mas, “dadas as crescentes tensões geopolíticas e o surgimento de novas ameaças e novos riscos externos, é importante ter forças estratégicas modernas constantemente prontas para serem utilizadas”, sublinhou.
🇷🇺 Por ordem presidencial, o exército russo começou hoje uma serie de exercícios de dissuasão nuclear. pic.twitter.com/BoQEXfjsn2
— geopol.pt (@GeopolPt) October 29, 2024
O presidente russo ordenou no início de maio a organização de exercícios nucleares “num futuro próximo” envolvendo tropas baseadas perto da Ucrânia, em resposta às “ameaças” dos líderes ocidentais contra seu país.
Revisão da doutrina nuclear russa
No final de setembro, ele propôs a revisão da doutrina nuclear russa, considerando como “um ataque conjunto” a “agressão da Rússia por um país não nuclear, mas com a participação ou apoio de um país nuclear”, em referência direta à Ucrânia e seus aliados ocidentais, que fornecem armas e financiamento a Kiev contra as forças russas.
Kiev busca autorização para utilizar mísseis de longo alcance contra a Rússia, apesar da relutância em particular dos Estados Unidos, uma grande potência nuclear, que teme uma escalada.
Vladimir Putin, por seu lado, alertou que tal decisão significaria que “os países da Otan estão em guerra com a Rússia”. “Espero que tenham ouvido”, repetiu ele sobre o assunto no domingo (27).
Em outubro de 2023, o chefe de Estado russo já tinha supervisionado o disparo de mísseis balísticos durante manobras militares destinadas a simular um “ataque nuclear massivo” de represália.
Leia mais
- Contra a ameaça das armas nucleares
- A Ucrânia está cada vez mais perto do “momento Hiroshima”
- Em memória de Hiroshima e consciência atômica. Artigo de Enrico Peyretti
- O “grande sol” de Hiroshima não deve ser esquecido. Artigo de Marco Impagliazzo
- Por que hoje a bomba atômica é novamente possível?
- Mísseis e bombardeiros, Putin concretiza a ameaça atômica: inicia o exercício com ogivas nucleares táticas
- O que ‘Oppenheimer’ não diz sobre a bomba atômica de Hiroshima
- Bispo católico ucraniano na Itália: “O mundo não faz nada porque tem medo da bomba atômica”
- O apelo do presidente palestino perante a Assembleia da ONU: “Parem o genocídio, parem de enviar armas para Israel”
- A proposta chinesa sobre o não primeiro uso de armas nucleares: um passo que deve ser levado a sério
- “Usar armas da OTAN? Uma loucura, isso vai desencadear uma escalada imediata". Entrevista com Cecilia Strada
- Os católicos dos EUA devem enfrentar a ameaça nuclear e agir. Editorial do National Catholic Reporter
- Bem-vindos à nova era nuclear. Artigo de Francesco Strazzari
- EUA implantam porta-aviões e submarino nuclear para apoiar Israel
- Nuclear, 2 mil ogivas em alerta. E Soltenberg pede mais bombas para a Europa
- O surto militar da Otan e o risco nuclear