Em memória a Gustavo Gutiérrez. Comentário de Tonio Dell'Olio

Foto: Vatican News

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25 Outubro 2024

Não sei dizer se a vida de Gustavo Gutierréz foi uma canção, mas certamente é um grito. Em nome dos empobrecidos e dos excluídos. Foi revolução. Porque não pode ser heresia a vida de quem é esmagado pela injustiça.

O comentário é de Tonio Dell’Olio, padre, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 07-10-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

A teologia da libertação, que o celebra como pai, disse simplesmente que o sonho de Deus revelado em Jesus de Nazaré é reconhecer a dignidade de cada um de seus filhos que se redescobrem como irmãos. As palavras “resignação”, “submissão”, “escravidão” e “opressão” não têm lugar no Evangelho de Cristo e a pobreza é uma palavra nobre a ser abraçada, enquanto a miséria é uma maldição que não admite justificativas. “O grito do meu povo chegou aos meus ouvidos”, diz Deus. É por isso que a teologia da libertação não é outro genitivo do pensamento sobre/de Deus, mas sim a tentativa de dar palavras ao próprio sonho de Deus, ao seu amor por todas as criaturas.

Se uma teologia não for de libertação, que teologia é? Pela primeira vez, os pobres se sentaram em uma cátedra para explicar a Bíblia. Sem palavras, exceto aquelas de vida e êxodo. Esse foi o parto de Gustavo Gutiérrez, que traçou um caminho que agora não para mais porque flui em mil riachos com nomes e contextos diferentes, mas sempre como um grito, uma canção e um caminho de libertação.

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