08 Outubro 2024
É quase o dobro de pessoas apontado pelo balanço anterior da CNM, feito em setembro, quando entidade levantou que fogo atingia 10 milhões de brasileiros.
A informação é publicada por ClimaInfo, 08-10-2024.
Os estragos da “pandemia” de incêndios florestais que atinge o Brasil de norte a sul continuam crescendo. Pelo menos 18,9 milhões de pessoas foram afetadas pelo fogo e os prejuízos econômicos das cidades somam mais de R$ 2 bilhões, de acordo com o Boletim dos Incêndios Florestais, elaborado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
O boletim reúne informações dos decretos municipais sobre os incêndios. Em meados de setembro, o documento mostrou que ao menos 10,1 milhões de brasileiros tinham sido atingidos diretamente pelas chamas. Ou seja, o número quase dobrou em menos de um mês. Na época, a entidade alertou que se tratava de uma estimativa conservadora, pois considerava apenas os diretamente afetados pelos incêndios e não a população total dos municípios e nem os que tinham respirado fumaça gerada a milhares de quilômetros de distância. O mesmo vale para os números atuais.
A comparação com o ano de 2023 mostra como o cenário é alarmante, destaca a confederação. De janeiro a setembro do ano passado, apenas 12,7 mil pessoas foram afetadas diretamente, e os prejuízos representaram R$ 36,1 milhões.
Ao todo, 684 municípios estão em situação de emergência devido às chamas, informam CNN, O Dia e Agência Senado. A CNM alerta que ao menos 10,7 mil pessoas tiveram de deixar as suas casas este ano – número que também pode ser maior, pois a informação sobre desalojados e desabrigados não havia sido preenchida pela maioria dos municípios quando a entidade consolidou os dados.
Os efeitos dos incêndios florestais têm sido particularmente mais dramáticos para os Povos Indígenas, destaca a BBC, em matéria reproduzida pela Folha. Um exemplo vem da Amazônia. Muitos incêndios na região invadem Unidades de Conservação e Terras Indígenas, na maior parte das vezes por tentativas deliberadas de tomar terras.
“Se esses incêndios continuarem, nós, indígenas, vamos morrer”, desabafou Raimundinha Rodrigues de Sousa, que comanda o serviço voluntário de bombeiros da TI Caititu, em Lábrea, no Amazonas. A cidade está no top 10 dos nefastos rankings dos incêndios florestais e do desmatamento no Brasil.
“Agora, [o fogo] mata as plantas; daqui a pouco, seremos nós, porque inalamos muito [fumaça]”, lamentou ela. “É um fogo muito agressivo, que mata tudo que vê em seu caminho.”
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