02 Outubro 2024
No Sínodo Mundial da Igreja Católica, segundo a secretária-geral da Conferência Episcopal Nórdica, também serão discutidos temas difíceis. "Essa impressão de que agora os temas delicados foram simplesmente retirados para evitar conflitos não corresponde à realidade", disse a irmã Anna Mirijam Kaschner em entrevista ao portal da internet de Colônia "domradio.de" (terça-feira).
De quarta-feira até o dia 27 de outubro, um Sínodo mundial se reunirá pela segunda vez em Roma para discutir uma reforma fundamental da Igreja Católica. Participam da rodada final 368 sinodais, dos quais 272 são bispos e cardeais, e cerca de um oitavo dos participantes são mulheres. O tema é "Por uma Igreja sinodal – Comunhão, Participação e Missão". Previamente, temas polêmicos como o celibato ou a posição das mulheres na Igreja haviam sido remetidos a grupos de especialistas fora do Sínodo.
Questão das mulheres e compreensão do ministério
"Acredito que os grupos de trabalho no Sínodo prestarão contas sobre o seu trabalho", afirmou Kaschner, que participa do Sínodo. Além disso, ela espera outras controvérsias, como as questões sobre a autoridade doutrinária das conferências episcopais ou sobre prestação de contas e transparência em relação aos abusos. "Portanto, toda a gama de temas, incluindo a questão das mulheres, o tema do sacerdócio e a compreensão do ministério episcopal, continua a fazer parte do Sínodo".
Apesar da necessidade de discussão, Kaschner espera um clima positivo no Sínodo. No passado, participantes conservadores e liberais já conseguiram ouvir uns aos outros e evitar "rotular-se".
O teólogo de Bochum, Thomas Söding, também olha para o Sínodo Mundial com otimismo. "No nível mundial, vemos o quão diversa é a Igreja Católica", disse ele em outra entrevista ao Domradio (quarta-feira). No entanto, também é evidente o grande desejo de não se dividir, mas sim de se manter unido e encontrar um entendimento comum, afirmou Söding, que também participa do Sínodo. (KNA)
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