Um apelo pelo arcebispo. Artigo de Michele Serra

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25 Junho 2024

"Não concedam a [Carlo Maria Viganò] a graça de se sentir vítima e perseguido. Deixem para ele seu cantinho na Igreja, que felizmente para ele é grande e aberta a todos", escreve o jornalista, escritor e roteirista italiano Michele Serra, em artigo publicado por La Repubblica, 21-06-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Para compreender quem é Dom Carlo Maria Viganò, também conhecido como “o Lefèbvre italiano”, basta saber que ele é “contra a laicidade do Estado”.

Ele muraria com as próprias mãos a brecha da Porta Pia, com cal e tijolos. Dito isto, como puro intrometido que não tem nada a ver com assuntos da Igreja, nem jamais gostaria de se envolver, tenho um apelo (único signatário, eu mesmo) a ser endereçado à Santa Sé. Lemos que em relação a Viganò estaria em curso um processo por cisma. Por favor, Santo Padre e todos os bispos, magistratura vaticana e autoridades eclesiais, esqueçam isso. Finjam que nada aconteceu.

O mundo já está cheio de velhos reacionários, racistas, homofóbicos, fanáticos, guerreiros da Tradição e da Fé, que se passam por vítimas. A vitimização é a sua última trincheira: são o eterno lobo, ainda que desdentado, que adora se fantasiar de vítima e acusar o cordeiro de prepotência. O Parlamento italiano, coisa pequena comparada com aquela assembleia mundial que é a Igreja, já está repleta de fascistas que, para odiar melhor a democracia, a pintam como a sua perseguidora.

Não concedam a ele a graça de se sentir vítima e perseguido. Deixem para ele seu cantinho na Igreja, que felizmente para ele é grande e aberta a todos. Tirando dele seu pequeno assento vocês o autorizariam a se fazer de vítima e a revestir o ódio reacionário com o manto do martírio. Expliquem a ele, em privado, se possível até com uma visita in loco, que infelizmente a brecha da Porta Pia não é uma rachadura reparável. Nem o Papa Rei é, pelo menos por enquanto, um projeto político viável: possivelmente nem mesmo Vannacci e Salvini o apoiariam.

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