Mentira na cena pública: da “perversidade” ao “mentir verdadeiro”. Artigo de Nelson Lellis e Nilo Lima de Azevedo

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16 Janeiro 2024

"Toda a estratégia para mentir possui consequências sociais. Curiosa e paradoxalmente pode elevar a qualidade de vida de alguns grupos, bem como dificultá-la. Não há construção de uma imagem/trajetória política sem a presença da mentira. Aquele que diz é possível, está mentindo. A mentira é um recurso, uma estratégia. Qualquer carismatismo programado pela mentira, mesmo que para combater a fome, alavanca novas questões que para serem mantidas deverão ser amparadas por novas mentiras.", escrevem Nelson Lellis e Nilo Lima de Azevedo.

Nelson Lellis é Pós-doutorado e doutorado em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro; bolsista pós-doc em Políticas Sociais (UENF).

Nilo Lima de Azevedo é Doutor em Sociologia Política, professor associado da UENF, membro do Laboratório de Gestão e Políticas Públicas.

Eis o artigo.

“Fatos são coisas teimosas; e quaisquer que sejam nossos desejos, nossas inclinações ou os ditames de nossas paixões, eles não podem alterar o estado dos fatos e das evidências.”

(John Adams, segundo presidente dos EUA)

“Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira.”

(Renato Russo, cantor e compositor brasileiro)

“Chega de mentiras!”

(Trecho da música Evidências, composta por José Augusto e Paulo Sérgio Valle; popularizada pela dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó)

 

No mundo da política não funciona muito bem a máxima kantiana: “Tudo o que não puder contar como fez, não o faça! Se há razões para não contar, há para não o fazer!”. A política tem mecanismos de ocultamento de determinadas informações e de supervalorização de características para uma melhor propaganda da imagem do sujeito político. Um sujeito carismático, nos termos weberianos, não pode ser totalmente revelado, pois seu carisma seria enfraquecido ou até mesmo perdido. Quanto mais avançamos para um personalismo no que Bernard Manin chamou de “democracia de auditório”, mais o setor de marketing tende a aumentar. Nas palavras de Marco Nogueira, “a personalização da política traz o marketing político para o primeiro plano” e a “utilização de plataformas virtuais torna-se indispensável na comunicação dos políticos com suas bases eleitorais”[1].

Estamos falando das redes sociais como ferramenta direta para alcançar eleitores em potencial. Frases, intenções, preferências, dentre outras buscas, acionam algoritmos que fazem uma ponte entre o indivíduo que acessa e aquele que pretende ser representante na política profissional. Esse tipo de atividade constante na internet ajuda a criar bolhas onde as identidades são específicas e especificadas, trabalhando cálculos e movimentos, cujos membros facilmente começam a notar aqueles que são “de dentro” e os que são “de fora”, ou seja, que não acompanham o mesmo raciocínio. As bolhas são, certamente, um sistema de crenças. E o distanciamento entre grupos não indica uma democracia ampla, mas uma democracia enfraquecida por identidades distintas sob a égide do liberalismo e que têm sérias dificuldades em dialogar, pois “a política se tornou abertamente adversarial: todos são adversários de todos”[1] porque pretendem cooptar a verdade lançando-a numa espécie de corporação (à direita ou à esquerda) e moldando a realidade a partir do que assumem como crenças.

Um outro aspecto desse desafio das bolhas é, sem dúvida, a ausência da autocrítica.[2] Ela se torna muito sensível, uma vez que as pessoas que compõem determinado grupo precisam reforçar suas pautas, dinâmicas, militância. Quem se manifestar contrário ou demonstrar dúvidas quanto às pautas estabelecidas e sacralizadas pelo grupo, correrá o risco de ser cancelado. Trata-se de um envolvimento passional, praticamente alienante, idolátrico, porque não se pode discordar, promover o debate de forma conflitiva. Vale lembrar que na teoria do conflito em Simmel os grupos se reconhecem como antagônicos e, ao mesmo tempo, em perspectiva social, são interdependentes. Dito de outra maneira, é o conflito que obriga as partes a se reconhecerem e a interagirem entre si. Contudo, a realidade é que esses grupos (grande parte) se colocam em lados extremos e criam suas próprias regras, sua linguagem, suas verdades e suas mentiras. Até mesmo a realidade material passa a ser interpretada por pontos de vista[3] e o o que é acaba dependendo de um discurso que o defina e o refina de acordo com sua ideologia (aqui pensada como um sistema de ideias). Para Manuel Castells, não se trata apenas de uma virtualidade, mas de uma construção de uma “realidade virtual”. Diria, parafraseando o sociólogo espanhol, que se trata de um pleonasmo: “irrealidade virtual”; ou quem sabe “realidade aumentada”, ou até mesmo a radicalidade de uma “realidade prejudicada”?

O avanço do uso de redes sociais tem promovido o que Ulrich Beck chamou de “auto-organização da política”[1], uma configuração solta, que se distancia de instituições e se aproveita da individualização da sociedade. Na leitura de Nogueira

 A reconfiguração do modo de vida (a era digital) faz com que as massas se projetem desorganizadamente na esfera pública, como indivíduos soltos e agregados circunstanciais, geradores de uma demanda de transformação sistêmica que não consegue ser adequadamente processada, o que gera frustração e desencanto.[2]

Vale lembrar que em 2016 o Pnad C (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgou que 64,7% da população brasileira tinha acesso à internet. A principal finalidade? O envio de mensagens por redes sociais. E não podemos deixar de lado a hipótese de que os ativistas digitais (antigo militante partidário) repassam mensagens não necessariamente com o objetivo de conquistar o poder, mas de disputar o imaginário social.[3]

Ano passado (2023) o acesso chegou a 94%, segundo dados da pesquisa TIC Domicílios, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. Um salto importante de 2022 para 2023 foi na área rural: de 72 para 78%. Não apenas as classes A (97%) e B (95%) têm aumentado quanto ao acesso, mas a classe C (88%) e D-E (67%) também.[4] Esses números revelam um processo de “desintermediação da política, de modo a torná-la mais imediata, interativa e instantânea”[5], mas também reafirma sua heterogeneidade. Isto porque não encontrei nenhuma pesquisa que demonstrasse grupos que não fossem mistos, ou seja, é impossível afirmar que em grupos progressistas só haverá mulheres, pretos, gays; e que em grupos conservadores serão encontrados apenas indivíduos brancos, heteronormativos, totalmente liberais na economia. A subjetivização (nos termos de Arnold Gehlen) passa a ser uma categoria que representa bem nossa época, uma vez que o que tem fundamentado a discussão política e econômica não tem sido as classes, mas as identidades e as crenças (religiosas ou não) que reelaboram, ressignificam e potencializam o espectro cultural.

O discurso dessas identidades e crenças não trabalha, grosso modo, com a realidade. Interpreta a sociedade a partir de uma cartilha apreendida ideologicamente. Seria óbvio dizer que todos os grupos políticos são formados por lentes cujos graus são elevados por seus sistemas de crenças para favorecer suas lutas e conduzir de forma mais confortável as próprias demandas. Esse tipo de perspectiva não é apenas um “irracionalismo de conveniência”[1], é a base para suas existências. E, claro, visões diferentes carregam pressupostos diferentes. Por outro lado, o que tem conflagrado desconforto e debate nas últimas duas eleições tem sido a mentira na cena pública, provocando até mesmo a criação da CPI das Fake News e outras formas de investigação.

O que isso nos aponta? Que existem pessoas que não buscam ler a realidade, mas que se apetecem diante de uma visão que ofereça algo que a própria realidade não oferece. “O que uma visão pode oferecer, e o que a visão predominante do nosso tempo oferece de forma enfática, é um estado especial de graça para aqueles que acreditam nela”[2]. Aqueles que leem a realidade a partir de tais visões não percebem o mundo – e seu funcionamento – tal como é, mas enxergam a si mesmos com seus papéis morais sobre o mundo. Esse tipo de comportamento não aceita críticas e nem realiza autocrítica, por isso demonstram habilidade para desafiar evidências, apoderando-se de estatísticas e abrindo mão de evidências.[3] À medida que um argumento se torna mais radical, menos cinzentas são áreas de intersecção de interesses e nos acordos possíveis dentro da esfera pública. Torna-se mais evidente quem são “os eus” e quem são “os outros”. Assim, a adesão a um conjunto específico de ideias e crenças atua como um critério de distinção, a novidade é que esse pertencimento se consolida e se dissemina em uma junção entre emoções e logaritmos.

É importante que se diga sobre a diferença entre mentir e interpretar a realidade com diferentes lentes. Uma coisa é falar a partir de uma escola de pensamento como uma ferramenta teórica e até mesmo pedagógica, outra coisa é inserir no quadro da realidade social o que não está lá. Embora haja diferença, existem casos que eu chamaria de intersecção; ocorre quando a interpretação desse grupo ou de seu líder falsifica a realidade com objetivos de fazer o interlocutor acreditar que o que está vendo deve ser confirmado apenas por tal discurso. Tratam pesquisas de forma seletiva, readéquam números para melhor uso em seus discursos, desconsideram a máxima dos estudos de estatística de que correlação não é sinônimo de causalidade etc.

A mentira não se restringe apenas a grupos que militam, mas também é uma forma de persuasão política que se encontra, segundo o linguista francês e especialista em análise do discurso Patrick Charaudeau, entre a “perversidade” e o “mentir verdadeiro”.

A mentira é de maneira geral, um ato de linguagem que obedece a três condições: (i) o sujeito falante diz, enquanto enunciador (identidade discursiva), o contrário daquilo que sabe ou julga como indivíduo pensante (identidade social); (ii) ele deve saber que aquilo que diz é contrário ao que pensa (não há, nessa perspectiva, mentira que não seja voluntária); (iii) ele deve dar a seu interlocutor signos que o façam crer que aquilo que ele enuncia é idêntico ao que ele pensa.[1]

Charaudeau destaca nos dois primeiros pontos que o mentiroso é aquele que sabe que está mentindo e que contraria, inclusive, o que pensa; neste caso, a mentira não é outra coisa senão voluntária com objetivo de atingir uma finalidade. Quanto ao terceiro aspecto, aquele que mente deve fazê-lo oferecendo algo que valorize e faça sentido à crença do interlocutor. Ao menos uma isca! A citação termina, portanto, confirmando a premissa de que os grupos possuem sua linguagem e signos próprios. No parágrafo seguinte à citação, o linguista afirma que não há mentira numa relação que “recobre essa relação e do olhar daquele que pode detectar a mentira”. O que ele quer dizer é que os próprios seguidores são enganados e, por acreditarem no discurso, compartilham sem maiores preocupações.

O político precisa parecer fidedigno para não perder sua credibilidade. Esse parecer fidedigno é o mesmo que parecer dizer a verdade. Ou de acordo com Tocqueville, que entendia já no séc. XIX que certas questões deveriam ser omitidas (ou subtraídas) do conhecimento do povo que “sente mais do que raciocina” (ou: “os afetos são mais rápidos do que a racionalidade, não são os melhores argumentos que prevalecem, mas sim a informação com maior potencial de excitação”[2]). Nesse jogo de “espelhos” deve ser “considerado” o que se chama ética política. Como funciona essa relação de acordo com Charaudeau?

Existem algumas estratégias que modelam esse jogo (por vezes quase nada) democrático. A primeira é a estratégia da imprecisão. De acordo com seus próprios exemplos:

Um dirigente político da direita, cujas opiniões liberais são conhecidas, declara: “não se tocará na previdência social, mas as despesas serão controladas”; ou o dirigente da esquerda, que declara a respeito da aposentadoria: “não se tocará nas aposentadorias, mas será preciso complementá-las por um sistema de capitalização”.[1]

O linguista ainda questiona “quem pode dizer que a decisão não foi inteiramente tomada para mudar o sistema da previdência social ou das aposentadorias?”. Esse tipo de estratégia deixa o eleitor sempre suspenso e com dificuldades em negar as posições. Resta observar a outra estratégia: a do silêncio, ou da ausência das declarações. Um plano complexo porque por um lado é ocultamento de associações, por outro, de ocultamento de algo que possa parecer discrepante. A terceira estratégia é a da razão suprema, quando a mentira pública é justificada “por se tratar de salvar o que constitui a identidade de um povo”, independentemente da vontade dos cidadãos. Quando se torna “razão do Estado”, ou “para o bem da República”, conforme Platão. Por fim, a estratégia da denegação, em que o político nega sua participação ou de colaboradores em esquemas ilegais quando são objetos de investigação. Negar neste caso, diz Charaudeau, “equivale a mentir, produzindo o que se chama falso testemunho”. A denegação é o reforço da tergiversação.

Toda a estratégia para mentir possui consequências sociais. Curiosa e paradoxalmente pode elevar a qualidade de vida de alguns grupos, bem como dificultá-la. Não há construção de uma imagem/trajetória política sem a presença da mentira. Aquele que diz é possível, está mentindo. A mentira é um recurso, uma estratégia. Qualquer carismatismo programado pela mentira, mesmo que para combater a fome, alavanca novas questões que para serem mantidas deverão ser amparadas por novas mentiras. Contudo, o que está na mira de investigadores é a mentira perversa, responsável por danos e antagonismos capazes de excluir violentamente seu oponente. A mentira perversa é contra a democracia porque leva a movimentos e ataques como os que ocorreram no Capitólio (EUA), em 6 de janeiro de 2021, e no Palácio do Planalto (Brasília), no dia 8 de janeiro de 2023.

Lembremos que a mentira só funciona quando aquele que emite a mensagem consegue captar a linguagem – acrescento: e a crença – do grupo. Alguns membros podem até descobrir a inverdade, mas se a mensagem fortalece a ideologia do seu coletivo, tornar-se-á informação e, portanto, necessária e digna de ser compartilhada. Entendo, com isso, que o problema da democracia no Brasil hoje não é apenas a desinformação (ou as notícias falsas), como alguns defendem. Há muita gente que tem informação e resolve desprezá-la porque não se enquadra em seu esquema de crenças. Não é razoável pensar que isso é exclusivo da extrema direita. Grupos identitários da nova esquerda também se utilizam do sistema de crenças para alimentar dados inflacionados, discursos excludentes, e que são tornados informação. Abandonam o que o jornalista estadunidense Tom Wicker chamou de “razão e civilidade”; e isso pode ocorrer ao invadir universidades, destruir obras de arte, danificar patrimônio público, classificar indivíduos a partir de sua cor, religião ou até mesmo sexo etc., tudo isso com a finalidade de chamar a atenção para questões que supõem ser mais importantes e urgentes. Tanto o gabinete do ódio criado pela extrema direita, que leva a fatalidades pela mentira perversa em vários canais e redes, quanto a “mentira verdadeira” da nova esquerda, que proclama a salvação social crucificando os diferentes, revelam seu poder de educar novas gerações apelando para a crença idolátrica. Tomando emprestado um versículo bíblico do evangelho de Lucas: “Crê somente!”, sem questionamentos, sem dúvidas, sem titubear.

Repito: o desafio da democracia brasileira não é a falta de informação, mas a preferência de muitos pela perversidade que retroalimenta o sistema de ideias e estimula os membros a práticas e manifestações que só poderiam ser explicadas pelo critério da crença. Como disse John Stuart Mill, os únicos obstáculos verdadeiros para se alcançar o bem comum é a educação lamentável e os arranjos sociais lamentáveis[1]. Apenas a educação (e vontade de aprender) emancipa vidas da crença idolátrica que, por sua vez, encaminha o sujeito para o discurso e prática da perversidade. Para isso, escolas e universidades públicas não podem ser cooptadas por crenças e militâncias acríticas, pois não há desserviço maior numa nação do que entulhar exatamente o poço cujas águas devem ser potáveis.

Referências

MILL, John Stuart. Utilitarism. Toronto: University of Toronto Press, 1969, p. 215.

CHARAUDEAU, Patrick. Discurso Político. 2ª ed. São Paulo: Editora Contexto, 2017, p. 105.

SILVA, Sergio Luiz Pereira da. O irracionalismo de conveniência: ensaio sobre pós-verdade, fake news e a psicopolítica do fascismo digital. Curitiba: Appris, 2021.

 BECK, Ulrich. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. São Paulo: Ed. 34.

 Para verificar estes e outros dados: SILVA, Victor Hugo; OTAVIO, Murillo. “Acesso à internet cresce no Brasil e chega a 84% da população em 2023...”, em G1 - Tecnologia, 16/11/2023. Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2023/11/16/acesso-a-internet-cresce-no-brasil-e-chega-a-84percent-da-populacao-em-2023-diz-pesquisa.ghtml. Acesso em: 09 jan. 2024.

Ver também: LELLIS, Nelson. Evangélicos e a sociedade em rede: as eleições de 2018 e o impacto das redes sociais no Brasil. Reflexus, Ano XIII, v. 21, p. 165-183, 2019/1.

 Cf. LELLIS, Nelson. Quando o identitarismo obstaculiza a crítica: evangélicos na nova esquerda e sua relação com as religiões afro. Em: Fios do Tempo do Ateliê de Humanidades. Disponível em: https://ateliedehumanidades.com/2023/04/02/fios-do-tempo-quando-o-identitarismo-obstaculiza-a-critica-por-nelson-lellis/.

 Sugiro a leitura da seção “O Ponto de Vista Ambulante” em: SOWELL, Thomas. Os ungidos: a fantasia das políticas sociais progressistas. São Paulo: LVM Editora, 2022, p. 140-143.

 NOGUEIRA, Marco Aurélio. A democracia desafiada: recompor a política para um futuro incerto. Rio de Janeiro: Ateliê de Humanidades Editorial, 2023, p. 194.

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