“Não creio que alguém esteja pensando num terceiro Concílio Vaticano”, diz James Martin, SJ

(Foto: Galen Crout | Unsplash)

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30 Setembro 2023

  • “Nenhum sínodo, nenhuma assembleia e nenhum Papa podem enfrentar todos os desafios da Igreja. Mas será irracional pensar que um grupo de católicos comprometidos não possa ajudar a debater em profundidade entre si pelo menos alguns dos desafios?”

  • Bätzing defendeu dar mais liberdade às conferências episcopais, pois “as Igrejas particulares percorrem caminhos muito diferentes com o mesmo espírito. Se partilharmos esta experiência entre nós, talvez o medo de que a diversidade provoque rupturas também possa ser reduzido”. Em vez disso, “a diversidade dentro da Igreja deve ser entendida como riqueza”.

A reportagem é de Jesus Bonito, publicada por Religión Digital, 28-09-2023. 

“Não creio que alguém esteja pensando em um terceiro Concílio Vaticano”. O padre jesuíta James Martin, que já está em Roma para participar no Sínodo, espera que o encontro mundial, no qual pela primeira vez participarão mulheres e leigos, com voz e voto, seja "o início de uma crescimento maravilhoso na Igreja".

Tal como destacado numa entrevista ao Zeit que o site Katholische destaca, Martin mostrou a sua confiança de que haverá mudanças no tratamento de gays, lésbicas e outras realidades sexuais. “A minha sensação é que o verdadeiro julgamento só pode desenvolver-se quando as discussões são abertas. Isso, pela sua própria natureza, exige confidencialidade”, insistiu.

Apesar de tudo, ele pediu calma. "Nenhum sínodo, nenhuma assembleia e nenhum Papa podem enfrentar todos os desafios da Igreja. Mas será irracional pensar que um grupo de católicos comprometidos não pode ajudar a debater em profundidade entre si pelo menos alguns dos desafios?", e destacou que a Igreja pode recuperar a sua credibilidade moral “admitindo os seus crimes e pecados, pedindo perdão e indenizando (...). A mensagem mais importante da Igreja não é um livro, mas uma pessoa: Jesus Cristo”, concluiu.

As dificuldades do Caminho Sinodal Alemão

Por sua vez, os bispos alemães estavam confiantes de que os resultados do Sínodo poderiam fazer com que o Papa “se sentisse ligado e comprometido” com o que poderia ser aprovado entre 4 e 29 de outubro. Isto, pelo menos, foi apontado pelo presidente do episcopado, Georg Bätzing. Por outro lado, o bispo de Passau, dom Stefan Oster, destacou que é o Pontífice quem deve julgar bem “o que o Espírito de Deus diz a ele e a todos nós” durante o Sínodo, em comparação com o modelo alemão que, na sua opinião, "provocou mais oposição entre a Igreja alemã e Roma, entre nós, bispos, e entre todo o povo de Deus".

Oster foi um dos quatro bispos que votaram contra a continuação do financiamento do Caminho Sinodal Alemão, contra a opinião majoritária do episcopado. Neste sentido, Bätzing defendeu dar mais liberdade às conferências episcopais, uma vez que “as Igrejas particulares percorrem caminhos muito diferentes com o mesmo espírito. Se partilharmos esta experiência entre nós, talvez o medo de que a diversidade provoque rupturas também possa ser reduzido”. Em vez disso, “ a diversidade dentro da Igreja deve ser entendida como riqueza”.

Tal como Bätzing, o bispo de Essen, dom Franz-Josef Overbeck, esperava que os temas do Caminho Sinodal pudessem ser debatidos em Roma, especialmente aqueles que se referem à “violência sexualizada na Igreja”.

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