Os ultraconservadores, desesperados: um panfleto contra Francisco e o Sínodo sobre a Sinodalidade

Foto: Edward Pentin | NCR

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05 Setembro 2023

  • A um mês da abertura no Vaticano da primeira parte do Sínodo sobre a Sinodalidade, grupos reacionários lançaram-se para tentar desacreditar a assembleia, considerando que o seu desenvolvimento representa uma grave ameaça para a Igreja.

  • Com a publicação do panfleto O processo sinodal é uma caixa de Pandora, com prefácio do cardeal Raymond Burke, pretende-se ir contra o fluxo d'água do próximo sínodo, porque “apesar do seu impacto potencialmente revolucionário, o debate em torno deste sínodo tem sido limitado principalmente a insiders e o público em geral sabe pouco sobre isso".

  • “O projeto sinodal aqui analisado retoma antigas heresias repetidas vezes condenadas pelo magistério, levando ainda mais longe a obra de autodestruição mencionada por Paulo VI”, justifica a TFP, fundada pelo brasileiro, já falecido, Plinio Corrêa de Oliveira, e que hoje, com mais de 120 mil membros ativos, voluntários e doadores, "está na linha de frente da guerra cultural.

A reportagem é de José Lorenzo, publicada por Religión Digital, 05-09-2023. 

Um mês antes da abertura da primeira parte do Sínodo sobre a Sinodalidade no Vaticano, assembleia cujo instrumentum laboris causou perplexidade nos setores mais tradicionalistas da Igreja, grupos reacionários lançaram-se para tentar desacreditar o evento alegando que o seu desenvolvimento representa uma séria ameaça e que sobre ela paira o risco de cisma. Que se diga que por trás destas mobilizações estão cardeais como o cardeal americano Raymond Burke já não surpreende quase ninguém...

Neste sentido, nas últimas semanas numerosos exemplares de um panfleto “denunciaram o perigo iminente de construir uma Igreja nova, diferente da Igreja Católica como sempre existiu”, publicado pela chamada Sociedade Americana para a Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP).

“Depois de uma fase de preparação de três anos, a XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos reunir-se-á em Roma, em outubro. O encontro visa moldar uma nova Igreja ‘sinodal’, isto é, democrática e participativa, particularmente de "minorias marginalizadas", como pessoas LGBT, casais não casados, pessoas que vivem em casamentos polígamos, etc. Eles querem discutir a ordenação de mulheres ao sacerdócio, ou pelo menos ao diaconato. Reconsiderar a doutrina da Igreja sobre a homossexualidade e o casamento e alterar a sua forma de governo, transformando-a numa 'pirâmide invertida' cujo topo está abaixo da base", segundo o site da associação.

Agora, com a publicação do panfleto O processo sinodal é uma caixa de Pandora, com prefácio do cardeal Raymond Burke, pretende-se ir contra o fluxo d'água do próximo sínodo, que tanta expectativa tem causado, e não apenas dentro da Igreja porque, segundo os seus editores, “apesar do seu impacto potencialmente revolucionário, o debate em torno deste sínodo foi confinado principalmente aos insiders e pouco se sabe sobre ele pelo público em geral”.

"Para remediar esta situação, a Tradição, Família e Propriedade (TFP) e organizações irmãs de vários países, incluindo o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira do Brasil", justificam-se, publicam esta obra, escrita por Julio Loredo de Izcue e José Antonio Ureta, em formato de catecismo, com perguntas e respostas, porque, na sua opinião, "está em curso um plano de reforma da Santa Igreja que, levado às últimas consequências, poderá subverter os seus próprios fundamentos".

No prólogo, o cardeal Burke afirma que a obra “aborda de forma clara e completa uma situação muito grave da Igreja hoje. É uma situação que preocupa justamente todos os católicos atentos e todas as pessoas de boa vontade que observam os evidentes e graves danos infligidos ao Corpo Místico de Cristo", pelo que espera que o folheto "esteja à disposição dos católicos de todo o mundo para a edificação da Igreja".

Campanha mundial

Neste sentido, esta organização ultraconservadora lançou “uma campanha global” que divulgará o livro em italiano, holandês, inglês, francês, alemão, polaco, português e espanhol, uma vez que “o amor à Igreja, à sagrada hierarquia cristã a civilização já obriga a TFP e organizações irmãs a cumprir o dever imperativo de denunciar os erros desta reforma sinodal”.

“O projeto sinodal aqui analisado retoma antigas heresias repetidas vezes condenadas pelo magistério, levando ainda mais longe a obra de autodestruição mencionada por Paulo VI”, justifica a TFP, que foi fundada pelo brasileiro, já falecido, Plinio Corrêa de Oliveira, e que hoje, com mais de 120 mil membros ativos, voluntários e doadores, “está na linha de frente da guerra cultural, defendendo pacificamente os valores da tradição, da família e da propriedade privada”.

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