Provas de futuro entre xiitas e católicos

Foto: Vatican Media

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15 Mai 2023

O mês de março de 2023 forneceu muito material para a lista dos dies amara valde, dias de tristeza, da chamada “informação vaticana”. No entanto, olhando para além dos noticiários romanos, provou ser um período formidável para o desenvolvimento do diálogo católico-islâmico.

A reportagem é de Filippo Di Giacomo, publicada por Il Venerdì, 12-05-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em 10 de março, o Papa Francisco se encontrou com o aiatolá Seyed Abu al Hassan Navab, reitor da Universidade de Qom e chefe dos estudiosos xiitas da universidade que colaboraram na tradução e publicação do Catecismo da Igreja Católica em língua farsi: um fato histórico.

A cidade foi a residência de Khomeini que, após a revolução de 1979, liderou o Irã a partir dessa cidade. Ainda hoje, a sua universidade atrai estudiosos e estudantes xiitas de todo o mundo e é, social e religiosamente, um dos lugares mais conservadores do país. Nos mesmos dias, Francisco enviou uma mensagem ao Grande Aiatolá al Sistani por meio do cardeal Ayuso Guixot, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, que estava no Iraque para a conferência internacional Católicos e Xiitas diante do Futuro.

O xiita al Sistani, apesar de ser um teólogo conservador, sempre considerou a teologia teocrática de Khomeini uma terrível heresia. Após a visita do Papa em 2021, ele enquadrou o diálogo inter-religioso com duas importantes fatwas-princípios doutrinários. A primeira afirma que é possível ser irmãos por religião e por humanidade; a segunda reconhece que nas duas religiões “nós somos parte de vós, e vós sois parte de nós”. Também em março, enquanto a autoridade xiita de Qom estava em Roma, o Conselho Muçulmano de Anciãos (de viés sunita) assinou um memorando no Vaticano para fortalecer o diálogo inter-religioso. Os xiitas ainda não estão participando da iniciativa, mas nem tudo que parece é verdade.

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