Epifania: seguir a estrela guia. Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

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04 Janeiro 2026

"Uma lição para o mundo de hoje, onde a imposição armada avassala a soberania dos povos, alimenta a indústria bélica e tenta dar sobrevida ao império decadente, ávido por minerais e áreas estratégicas de todo o planeta, sem freios internos e internacionais", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, comentando a leitura evangélica da Festa da Epifania.

Segundo ele, "que a teimosia da estrela guia das utopias (nunca deixemos de procurá-la!) nos conduza, como queria Mário Quintana (1906-1994): 'Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!'"

Eis o comentário.

Esse primeiro domingo do ano é o da Epifania - termo que vem do grego e significa "manifestação" ou "iluminação". Lembra a saga dos magos, seguindo a estrela do Oriente para encontrar o Messias (Lucas, 2, 12).

Todo ser humano busca o infinito. Ou uma iluminação, um sentido, alguma permanência. No entanto, muitos fazem isso de forma torta, egóica, estéril...

Os magos do Oriente não se deixaram iludir por Herodes, o todo poderoso interventor da época. Mandão como esses que, até hoje, embriagados pelo poder, voltados para seus umbigos, não sabem ver as estrelas, as grandezas dos caminhos de justiça e paz.

O relato de Mateus desconcerta os grandes chefes, os "doutores da lei": o Esperado não será encontrado em um Palácio, mas numa choupana; não é herdeiro de monarquia triunfal, mas uma frágil criança; não está na agitada Jerusalém, mas na pequenina e periférica Belém.

Uma lição para o mundo de hoje, onde a imposição armada avassala a soberania dos povos, alimenta a indústria bélica e tenta dar sobrevida ao império decadente, ávido por minerais e áreas estratégicas de todo o planeta, sem freios internos e internacionais.

Aprendamos com a sabedoria dos reis magos, que não tinham espírito de conquista e dominação, mas de doação - o ouro da riqueza distribuída, o incenso da elevação espiritual, e a mirra, bálsamo solidário para os inevitáveis machucados da existência. Baltazar, Gaspar e Melquior - uns de nós! - souberam pegar caminhos diferentes para driblar o exterminador.

Saibamos, em meio a um mundo de violência, ataques à soberania dos povos e prepotência dos mais fortes sobre os mais fracos, ser sinais de esperança, de respeito e dignidade, sem as quais não há paz.

A hora é grave mas não insuperável: as trevas se dissiparão, ensina a História. Que a teimosia da estrela guia das utopias (nunca deixemos de procurá-la!) nos conduza, como queria Mário Quintana (1906-1994): "Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!" .

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