Declaração da 11ª Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas pede cessar-fogo global e compromisso renovado com a paz

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12 Setembro 2022

 

Reconhecendo a profunda necessidade de um “diálogo renovado dentro do movimento ecumênico”, a 11ª Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas – CMI divulgou uma declaração “afirmando fortemente o compromisso do CMI e de suas igrejas-membro com a pacificação por meio do diálogo inter-religioso e da cooperação em todos os níveis” e pedindo um cessar-fogo global em todos os conflitos armados ao redor do mundo.

 

A nota é publicada por CMI, 08-09-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

A declaração começa com o reconhecimento da “profunda dor e consternação que a violência e o conflito continuam a impactar comunidades vulneráveis, especialmente idosos, mulheres, crianças e jovens”.

 

O trabalho do CMI desde a 10ª Assembleia em Busan foi enquadrado como uma “Peregrinação de Justiça e Paz” com quatro dimensões: paz justa na comunidade, paz justa na terra, paz justa no mercado e paz justa entre as nações.

 

Esta declaração, intitulada “As coisas que contribuem para a paz; movendo o mundo para a reconciliação e a unidade”, reconhece viver em um momento de polarização global renovada e crescente, reconfiguração de governança e alinhamentos geopolíticos, divisão e militarização, bem como de contínuas ocupações militares em situações como os Territórios Palestinos Ocupados e Chipre. Tudo isso contribui para “instrumentalização da linguagem religiosa, autoridade e liderança para justificar, apoiar ou ‘abençoar’ a agressão armada ou qualquer tipo de violência e opressão”.

 

A construção da paz por meio do diálogo inter-religioso, a busca do entendimento mútuo e a cooperação em todos os níveis são identificadas como contribuições-chave para enfrentar a divisão, a polarização e a injustiça. O CMI e toda a irmandade ecumênica são instados a “continuar e aprofundar esse engajamento”.

 

A declaração pede um cessar-fogo global em todos os conflitos armados ao redor do mundo, e para todas as partes, “se envolver e persistir no diálogo e nas negociações até que uma paz justa e sustentável possa ser alcançada e se abster da guerra”.

 

As Igrejas membros do CMI são convidadas a refletir e discutir sobre “princípios e perspectivas cristãos em relação à doutrina da dissuasão nuclear”. Uma proibição global preventiva de sistemas de armas autônomos é fortemente observada, bem como “total responsabilidade legal pelos autores de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e outras violações graves dos direitos humanos e humanitários internacionais”.

 

Ações urgentes para alcançar justiça climática e enfrentar a ameaça de mudanças climáticas catastróficas são identificadas como fundamentais para a segurança humana e global. A declaração pede aos governos que aumentem o investimento nas áreas de energia renovável, desenvolvimento sustentável e medidas para controlar a desigualdade desenfreada, “que, se não forem abordadas, alimentarão o conflito”.

 

A parceria e cooperação entre o CMI, a ACT Alliance e outros parceiros ecumênicos, incluindo a ONU, são identificadas como uma forma de fortalecer “a capacidade das igrejas ao redor do mundo” e fornecer apoio especialmente em áreas afetadas por conflitos.

 

A declaração também denuncia “todos os casos de violação da liberdade religiosa ou de crença e afirma a liberdade religiosa ou de crença para todas as pessoas de fé e pessoas sem fé em todos os lugares, e o direito de objeção de consciência, para um mundo pacífico”.

 

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