Francisco: a terceira guerra mundial deve ser parada imediatamente e de toda maneira

Guerra na Ucrânia. (Foto: Zelensky | Redes Sociais)

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09 Setembro 2022

 

"Não esqueço a atormentada Ucrânia", mas devemos parar a "guerra mundial" em andamento.

 

O Papa Francisco, na habitual audiência geral da quarta-feira - realizada ontem não em recinto fechado, na sala Paulo VI, mas em uma Praça São Pedro especialmente lotada - voltou a falar sobre o conflito na Ucrânia, reiterando sua posição, também expressa nas duas audiências anteriores: condenação pela agressão da Rússia a Kiev, sem contudo justificar a guerra - a "terceira guerra mundial", como a havia chamado na quarta-feira passada dirigindo-se aos fiéis poloneses, no aniversário da invasão de Hitler em 1939 -, que aliás deve ser parada imediatamente e de toda maneira.

 

A reportagem é de Luca Kocci, publicada por Il Manifesto, 08-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

A intervenção não estava prevista no texto oficial do discurso, e a ideia partiu de algumas bandeiras ucranianas hasteadas na praça. “Diante de todos os cenários de guerra do nosso tempo, peço a cada um para ser construtor da paz e rezar para que pensamentos e projetos de harmonia e reconciliação se espalhem pelo mundo”, disse o papa de improviso. E acrescentou:

 

"Hoje estamos vivendo uma guerra mundial, vamos parar, por favor!". Em seguida, conclui com uma oração pelas “vítimas de todas as guerras, especialmente pela cara população ucraniana”.

 

Na próxima terça-feira, Bergoglio partirá para Nur-Sultan, capital do Cazaquistão, onde acontecerá o sétimo congresso dos líderes das religiões tradicionais mundiais, que terminará em 15 de setembro com a assinatura de uma declaração conjunta no palácio da paz e reconciliação.

 

Não haverá o aguardado encontro com o Patriarca Ortodoxo Russo Kirill, devido à renúncia deste último.

 

"O encontro não pode ocorrer à margem da cúpula, mas deve se tornar um evento independente, preparado com o máximo cuidado e com um comunicado conjunto acordada antecipadamente", explicou o "ministro das Relações Exteriores" do Patriarcado de Moscou, o metropolita Antonij de Volokolamsk. Há diferenças demais sobre o conflito, definido pelo papa como uma "agressão" e, ao contrário, considerado uma espécie de "guerra santa" por Kirill, por sua vez rotulado por Francisco como "o coroinha do Putin". E não haverá também a etapa na Ucrânia, tão esperada por Kiev e pelo próprio presidente Zelensky, mas adiada para outra data pela Santa Sé, que evidentemente, tendo falhado o encontro com Kirill, não quer arriscar que o pontífice seja "alistado" por um dos dois lados, enfraquecendo assim a linha de firme e absoluta condenação da guerra.

 

Enquanto isso, um apelo foi lançado por algumas realidades católicas de base em vista das próximas eleições políticas: não dar o voto para aqueles que apoiaram o aumento dos gastos militares até o dois por cento do PIB, como também solicitado pela OTAN, que está fornecendo armas à Ucrânia. “Isso significa preparar a guerra, não a paz. Significa subverter o projeto da Constituição que repudia a guerra, jogando fora o sacrifício dos que morreram na Resistência”, lê-se no apelo lançado, entre outros, pela comunidade de base das Piagge di Firenze (animada por Dom Alessandro Santoro), por Dom Andrea Bigalli (pároco da província de Florença e representante para a Toscana da Libera), por Padre Bernardo Gianni (abade da comunidade monástica de San Miniato) e por Sandra Gesualdi (vice-presidente da Fundação Don Milani), que pedem "não votar em ninguém que tenha votado pelo aumento dos gastos militares" ou em quem" não se empenhe explicitamente a inverter o curso, reduzindo aquela despesa insana".

 

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