Como latas vazias

Fonte: Reprodução Facebook Volodymyr Zelensky

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

16 Mai 2022

 

De todas as notícias de guerra, muitas das quais de brutalidade infernal, esta dos cadáveres de soldados russos deixados no chão como latas vazias, e não reivindicados por Moscou, talvez seja a mais cruel. Se não houvesse numerosos testemunhos diretos, de muitas fontes diferentes, seria difícil acreditar que tal traição aos próprios filhos pudesse realmente ser realizada. Porque é disso que se trata: garotos de vinte anos enviados para morrer pelos seus pais e esquecidos na poeira e na lama. Levar de volta aqueles corpos para casa e entregá-los às suas famílias significaria admitir que os mortos russos são muitos milhares, talvez dez vezes mais do que os números oficiais.

 

A reportagem é de Michele Serra, publicada por La Repubblica, 15-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O cuidado dos mortos é tão antigo quanto a civilização humana. Expressa piedade por aqueles que abandonam a vida e, ao mesmo tempo, contém a esperança de que a jornada continue em outro mundo.

 

Especialmente por esta razão em todas as culturas as práticas funerárias são tão precisas: é uma longa jornada, e tudo dever estar em ordem.

 

(Fonte: Reprodução Facebook Volodymyr Zelensky)

 

Especialmente para quem tem fé, ou diz ter fé, deixar um cadáver para os corvos e os ratos é um sacrilégio. Será que o Patriarca Kirill tem algo a dizer sobre isso, admitindo que ele encontre tempo, entre uma bênção da guerra "em defesa dos valores tradicionais" e uma maldição do Ocidente corrupto, para finalmente ser padre e lembrar de levar os sacramentos aos mortos, e dar-lhes sepultura.

 

Porque aqueles cadáveres abandonados inevitavelmente fazem pensar que aos líderes da Rússia os valores tradicionais não importam minimamente. Paradoxal que caiba a nós, não crentes, lembrar o patriarca de sua função.

 

Leia mais