Vaticano: crise climática tem um rosto humano, são necessárias respostas coletivas

Foto: Li an lim | Unsplash

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27 Mai 2021


“Não se trata de questões meramente políticas ou econômicas, mas de uma questão de justiça que não pode mais ser ignorada ou adiada, é uma obrigação moral para com as gerações futuras". Palavras do Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Genebra.

A reportagem é publicada por Vatican News, 26-05-2021.

O Arcebispo Ivan Jurkovič, Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Genebra, participou do Colóquio Internacional sobre Migrações, realizado pela Organização Internacional para as Migrações. Durante a sessão de terça-feira (25) afirmou: “A mudança climática e suas consequências sobre as migrações têm 'um rosto humano' e colocam questões às quais toda a comunidade internacional deve responder de forma "coletiva e coordenada". O tema do encontro, "muito caro ao Papa Francisco", sublinhou o prelado foi: "Rumo à Cop26: Acelerar as ações para enfrentar a migração e o deslocamento no contexto das mudanças climáticas e ambientais".

 

Pandemia e Clima

O Arcebispo então fez uma comparação entre a pandemia da Covid-19 e a crise climática: enquanto a primeira "chegou inesperadamente", disse, a segunda "vem se desenvolvendo há anos; no entanto, não foi abordada até recentemente", de modo que agora "suas consequências paralisantes já são uma realidade para milhões de pessoas em todo o mundo". Mas é essencial lembrar uma coisa, reiterou o prelado: "A mudança climática ocorre em toda parte, mas a capacidade de responder e se adaptar a ela varia muito". Os mais afetados "de modo desproporcional" são "os mais pobres e os mais vulneráveis". Neste sentido, portanto, "é fundamental reconhecer que a crise climática tem um rosto humano", o de "pessoas forçadas a fugir de seu ambiente natural por ter se tornado inabitável".

 

Desacordo com a Casa Comum

Entre outras coisas, Dom Jurkovič acrescentou, este "pode parecer um processo inevitável da natureza", mas na realidade "a deterioração do clima é muitas vezes o resultado de escolhas erradas, atividades destrutivas, egoísmo e negligência que colocam a humanidade em desacordo com a Criação, nossa casa comum". Por sua "própria natureza e magnitude", disse o Observador Permanente, "a realidade humana da migração" e "a questão da mudança climática" exigem "uma resposta coletiva e coordenada da comunidade internacional". Nenhum Estado, de fato, "pode administrar as consequências sozinho", e todos os países "estão de algum modo afetados".

Portanto, tendo em vista a 26ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática, programada para Glasgow, Reino Unido, em novembro próximo, o Arcebispo observou que "é imperativo abordar a dimensão humana da mudança climática sem mais delongas", porque - como o Papa Francisco lembrou recentemente - "há uma dívida ecológica que devemos à própria natureza, bem como aos povos e países afetados pela degradação ambiental causada pelo homem e pela perda da biodiversidade".

Não se trata, portanto, de "questões meramente políticas ou econômicas", destacou ainda o Observador Permanente, "mas de questões de justiça, uma justiça que não pode mais ser ignorada ou adiada", pois envolve "uma obrigação moral para com as gerações futuras". A seriedade com que respondemos a estas perguntas", concluiu o prelado, "moldará o mundo que deixaremos para nossos filhos".

 

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