Conheça Beate Gilles, a mulher leiga que falará pelos bispos católicos na Alemanha

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12 Março 2021

Beate Gilles, 50 anos, liturgista, é a nova secretária-geral da Conferência Nacional dos Bispos da Alemanha.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippit, publicada por La Croix International, 03-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Bispos católicos da Alemanha escolheram uma teóloga e liturgista para ser a primeira mulher a servir como secretária-geral da conferência episcopal nacional.

Beate Gilles, 50 anos, é também a primeira pessoa leiga em 172 anos de história da Conferência do Bispos da Alemanha (DBK) a assumir esse cargo chave.

Ela substituirá o padre jesuíta Hans Langendörfer que foi secretário-geral por 24 anos.

Gilles, que não é casada e não tem filhos, assumirá seus novos deverem em 1º de julho de 2021.

Sua nomeação foi anunciada em 21 de fevereiro, na conclusão da assembleia de verão da DBK.

 

Um forte sinal a favor da liderança das mulheres

Dom Georg Bätzing, presidente da DBK, disse que esse era um “forte sinal que os bispos estavam dando sobre seu compromisso com a promoção de mulheres às posições de lideranças na Igreja”.

Gilles é doutora em teologia com especialização em liturgia. Ela escreveu sua tese de doutorado sobre a transmissão midiática de serviços religiosos.

Ela representa as dioceses de Limburg, Mainz e Fulda na Hess Broadcasting (uma emissora regional do primeiro canal de televisão alemão ARD) desde 2019.

Natural de Colônia ela também chefia o departamento para crianças, jovens e famílias na diocese de Limburg desde 2020.

Na sua primeira conferência de imprensa, Gilles enfatizou que para ela a Igreja alemã e o atual Caminho Sinodal alemão, para a reforma da Igreja, seriam um estágio central.

Em Limburg, ela participou das discussões de dois temas que estão em discussão no Caminho Sinodal, sobre o trabalho pastoral com casais em situações irregulares e sobre o papel das mulheres na Igreja.

 

Voltando ao movimento Maria 2.0

Questionada se ela se aproximaria do movimento feminista alemão, Maria 2.0, Gilles disse: “Claro. É contraproducente para a Igreja decidir se algo está ‘dentro’ ou ‘fora’ da Igreja”.

Foi relatado que o Vaticano está investigando atualmente o grupo de mulheres, que foi fundado em 2019. Mas a nova secretária-geral da DBK parecia defender a legitimidade do movimento.

Maria 2.0 consiste em mulheres que estão engajadas em nossas paróquias e são um elemento central de nossa Igreja”, disse ela a repórteres.

“Se você der uma olhada nas ‘sete teses’ que pregaram nas portas das igrejas e catedrais [no domingo, 21 de fevereiro], verá que há questões nas quais já podemos trabalhar juntos e outras nas quais teríamos de dizer: ‘Não vamos avançar nisso ainda’. Mas isso não significa que o assunto não possa ser discutido”, insistiu Gilles.

Maria 2.0 favorece uma Igreja com igualdade de gênero que “admite todas as pessoas em todos os cargos da Igreja” e “avalia, acompanha e combate as causas da violência sexual”.

Duas das sete “teses” do grupo são: a abolição do celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres.

Uma das várias mulheres nos principais cargos de conferências episcopais em todo o mundo

Embora Gilles seja a primeira mulher a se tornar secretária-geral da Conferência Episcopal Alemã, ela não é a primeira na Igreja universal a ocupar esta posição nacional importante.

As conferências episcopais da Holanda, dos países nórdicos e da África do Sul já tiveram ou ainda têm mulheres secretárias-gerais. E uma mulher leiga é secretária-geral adjunta da Conferência dos Bispos da França.

Anna Mirijam Kaschner, que ocupa o cargo nos países nórdicos, disse que está ansiosa para conhecer Gilles.

“Quando se participa de uma grande conferência de secretários-gerais europeus, onde a maioria são homens, e de repente aparece uma mulher, isso faz uma grande diferença. Faz um bem”, disse ela à domradio.de da Arquidiocese de Colônia.

Kaschner, membro da província dinamarquesa das Irmãs do Preciossíssimo Sangue (também conhecidas como Missionárias de Marianhill), disse que esperava sinceramente que a ênfase não fosse tanto no fato de que Gilles era uma mulher, mas em seu trabalho como secretária geral.

“E espero que a opinião pública, que está na esfera pública, em geral, foque seja no que ela faz e não tanto no que ela é”, disse.

 

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