Universidade de Notre Dame divulga estudo sobre assédio sexual entre seminaristas dos EUA

Foto: Pixabay

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24 Setembro 2019

No dia 21 de setembro, a Universidade de Notre Dame, nos EUA, divulgou um relatório inédito que analisou o assédio sexual nos seminários católicos dos EUA, revelando que apenas 6% dos seminaristas relataram ter sofrido algum tipo de assédio sexual ou má conduta, enquanto 90% relataram não ter sofrido nenhum.

A reportagem é de Rhina Guidos, publicada por Catholic News Service, 23-09-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Outros 4% disseram que poderiam ter experimentado uma má conduta, mas não tinham certeza. Dos 10% que relataram ter sofrido assédio sexual ou que indicaram que poderiam ter sofrido, 80% identificaram um colega de seminário ou um religioso em formação como o suposto autor.

Entre os entrevistados em geral, 84% disseram sentir que a administração e o corpo docente levam a sério os relatos de assédio. Daqueles que relataram um incidente, cerca de um terço disse não ter certeza se a denúncia foi levada a sério ou se foram tomadas medidas a respeito.

A pesquisa, do Instituto McGrath para a Vida na Igreja da Notre Dame, em colaboração com o Centro de Pesquisa Aplicada ao Apostolado (Cara), com sede em Washington, foi realizada a partir de dados obtidos em 149 seminários ou casas de formação nos EUA. O estudo intitula-se “Assédio sexual e cultura do seminário católico”.

John Cavadini, professor de Teologia da Notre Dame, que apresentou os resultados no congresso da Religion News Association em Las Vegas, disse que a pesquisa foi uma resposta a rumores sobre o que estava acontecendo na cultura do seminário depois que surgiram as acusações sobre o ex-cardeal estadunidense Theodore E. McCarrick.

“A ideia da pesquisa surgiu na sequência do escândalo de abuso sexual e das acusações de abuso contra o agora laicizado Theodore McCarrick, que foi acusado de agredir vítimas durante os seus anos de seminário”, disse Cavadini.

Com os dados, mudanças construtivas podem ocorrer e afetar políticas que podem ser necessárias para tornar mais seguros os seminários católicos do país, disse ele.

Algumas das preocupações parecem centrar-se na questão de saber se as denúncias de assédio sexual foram levadas a sério e respondidas pelas autoridades responsáveis. Dos que relataram um incidente, cerca de quatro em cada 10 (42%) acreditam que suas denúncias de assédio sexual, abuso ou má conduta “às autoridades responsáveis” foram levadas a sério e respondidas “completamente” (24%) ou “na maioria dos casos” (18%).

Doze por cento disseram que suas denúncias foram levadas a sério “de alguma forma, mas não adequadamente”, e 15% disseram acreditar que suas denúncias “não foram levadas a sério ou respondidas devidamente”. Aqueles que disseram que “não sabiam” se a denúncia de um incidente foi levada a sério ou se foi respondida representaram 31%; e 21% disseram que as denúncias “não foram levadas a sério ou respondidas devidamente”.

A pesquisa foi enviada por e-mail a 2.375 seminaristas de 149 seminários e casas de formação de todo o país, com uma taxa de resposta de 65%. Cavadini disse que os pesquisadores tentaram comparar alguns dados, mas não havia estudos focados na cultura do seminário para fazer uma comparação.

O padre jesuíta Thomas Gaunt, diretor executivo do Cara, que estava presente na divulgação dos resultados, disse acreditar que a pesquisa marcou a primeira vez que um estudo desses foi realizado. Parte dos dados pode ajudar a criar ou instituir políticas para assegurar que os seminaristas que denunciam abusos contra eles sejam levados a sério pelos responsáveis, observou ele.

“Não é apenas a nossa opinião. Temos dados para mostrar, portanto poderemos dizer que não é nossa imaginação”, disse Cavadini. “Queremos afetar a cultura do seminário. Queremos criar uma cultura em que essa ambiguidade diminua.”

Em uma declaração da Notre Dame no dia 21 de setembro que apresentou a pesquisa, Cavadini disse que, ao abordar o relatório, os pesquisadores queriam dar voz aos seminaristas, sem medo de represálias.

“Como um serviço à Igreja atual e futura, queríamos tentar obter alguns dados objetivos sobre a prevalência (ou não) de abuso e assédio sexual nos seminários”, disse ele.

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