O ciclone Idai e a ajuda que não é ajuda

Ciclone Idai atingiu Moçambique, Zimbábue e Malawi na última semana. Foto: Médicos sem Fronteiras

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25 Março 2019

Já são mais de 700 mortes em Moçambique, Zimbábue e Malawi por conta do ciclone Idai, e a pior situação é em Moçambique. Lá, foram até agora 446 mortos, mais de 1,5 mil feridos, 110 mil desabrigados e, segundo o Unicef, pelo menos um milhão de crianças afetadas. Há aldeias inteiras submersas, e a catástrofe pode ser ainda maior pela disseminação de doenças como cólera, malária e diarreia. A diretora-executiva do fundo afirma que devem ser necessários ao menos US$ 30 milhões para prestar ajuda imediata.

Moçambique, Zimbábue e Malawi foram afetadas pelo ciclone. (Imagem: Google Maps)

A informação é publicada por Outra Saúde, 25-03-2019.

Ao contrário do que tem circulado via memes, não é verdade que países ricos não estejam enviando dinheiro e insumos. Mas qualquer ajuda vinda deles pode ser considerada uma espécie de indenização voluntária, muito mais do que ajuda humanitária. Não se pode estabelecer com certeza que há uma relação de causalidade entre o aquecimento global e o ciclone Idai, mas várias pesquisas, como relatórios recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, permitem avaliar que sim , as mudanças aumentam a frequência e a intensidade desse tipo de desastre. Não é preciso dizer que Moçambique, Malawi e Zimbábue contribuem com uma fração ínfima das emissões que estão piorando as coisas. Além disso, áreas mais pobres têm construções mais precárias e são muito mais afetadas nesse tipo de evento e, historicamente, certos países vêm enriquecendo às custas da miséria de outros. O artigo no Conversation afirma que os principais países doadores, EUA e Reino Unido, não fazem mais do que a obrigação ao oferecerem ajuda imediata, mas isso não é suficiente.

África (Foto: Wiki Voyage)

"Deveriam oferecer apoio aos países mais pobres, desde a construção de defesas contra enchentes até o apoio aos serviços sociais e à transferência de tecnologia. Eles devem perdoar a dívida nacional, redistribuir a riqueza ou, pelo menos, dar-lhes acordos comerciais preferenciais para ajudá-los a adaptar-se à mudança climática", escrevem os pesquisadores em Justiça Climática, Michael Mikulewicz e Tahseen Jafry.

A propósito, uma matéria da nossa editora, Maíra Mathias, na Revista Poli aborda a pouco discutida relação entre aquecimento globaldoenças e mortes. Pelo menos cinco milhões de pessoas – em uma estimativa conservadora – entre 2030 e 2050 em consequência das mudanças climáticas, contando apenas os problemas com desnutrição infantil, malária, diarreia em menores de 15 anos e exposição de idosos ao calor.

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