Fiel a Jesus no meio das tentações. Comentário de José Antonio Pagola

Foto: Reprodução Religión Digital

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20 Fevereiro 2026

É diabólico organizar a religião como um sistema de crenças e práticas que dão segurança. Não se construirá um mundo mais humano refugiando-se cada um em sua própria religião.

O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, ao Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 4, 1-11, que corresponde ao 1º Domingo da Quaresma, ciclo A do Ano Litúrgico, publicado por Religión Digital, 16-02-2026.

Eis o comentário.

A primeira geração de cristãos se interessou muito cedo pelas "tentações" de Jesus. Eles não queriam se esquecer dos tipos de conflitos e lutas que ele teve que superar para permanecer fiel a Deus. Isso os ajudou a manter o foco em sua única tarefa: construir um mundo mais humano seguindo os passos de Jesus.

A história é angustiante. No "deserto", podemos ouvir a voz de Deus, mas também sentir a força das trevas que nos afastam Dele. O "diabo" tenta Jesus usando a Palavra de Deus e se baseando em salmos recitados em Israel: mesmo dentro da religião, a tentação de nos distanciarmos de Deus pode estar à espreita.

Na primeira tentação, Jesus resiste a usar Deus para "transformar" pedras em pão. A primeira coisa que uma pessoa precisa é alimento, mas "nem só de pão viverá o homem". A ânsia humana não se satisfaz apenas alimentando o corpo. Ela precisa de muito mais.

Precisamente para libertar da miséria, da fome e da morte aqueles que não têm pão, devemos despertar uma fome de justiça e amor no mundo desumanizado dos complacentes.

Na segunda tentação, o diabo sugere, do alto do templo, que ele busque segurança em Deus. Ele poderá viver em paz, “sustentado por suas mãos”, e caminhar sem tropeçar ou correr qualquer tipo de risco. Jesus responde: “Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus”.

É diabólico organizar a religião como um sistema de crenças e práticas que oferecem segurança. Um mundo mais humano não se constrói com cada pessoa refugiando-se em sua própria religião. Às vezes, é necessário assumir compromissos arriscados, confiando em Deus como Jesus fez.

A cena final é impressionante. Jesus observa o mundo do alto de uma montanha. Aos seus pés estão dispostos "todos os reinos", com seus conflitos, guerras e injustiças. Ali, ele deseja estabelecer o reino de paz e justiça de Deus. O diabo, por outro lado, oferece-lhe poder e glória se ele o adorar.

A reação de Jesus é imediata: "Adorarás o Senhor teu Deus". O mundo não se torna humano pela força do poder. É impossível impor poder sobre os outros sem servir ao diabo. Aqueles que seguem Jesus em busca de poder e glória vivem "de joelhos" diante do diabo. Eles não adoram o verdadeiro Deus.

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