16 Janeiro 2026
Aqueles que vivem abertos ao Espírito de Deus ressoam com tudo o que faz a vida crescer e se rebelam contra o que a prejudica e a mata.
O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, referente ao Evangelho de Jesus Cristo segundo João 1,29-34, que corresponde ao 2º Domingo Tempo Comum, Ano A, publicado por Religión Digital, 18-01-2026.
Eis o comentário.
As pessoas não querem ouvir falar sobre espiritualidade porque não sabem o que essa palavra abrange; desconhecem que ela significa mais do que religiosidade e que não é sinônimo do que tradicionalmente se entende por piedade. "Espiritualidade" significa viver uma "relação vital" com o Espírito de Deus, e isso só é possível quando Deus é vivenciado como a "fonte da vida" em toda experiência humana.
Como explicou Jürgen Moltmann, viver em contato com o Espírito de Deus “não leva a uma espiritualidade que desconsidera os sentidos, voltada para dentro, hostil ao corpo e distante do mundo, mas sim a uma renovada vitalidade de amor pela vida”. Diante do que está morto, petrificado ou insensível, o Espírito sempre desperta o amor pela vida. Portanto, viver “espiritualmente” é “viver contra a morte”, afirmar a vida apesar da fraqueza, do medo, da doença ou da culpa. Aqueles que vivem abertos ao Espírito de Deus ressoam com tudo o que nutre a vida e se rebelam contra o que a prejudica e a mata.
Esse amor pela vida gera um tipo diferente de alegria; ensina-nos a viver de forma amigável e aberta, em paz com todos, dando vida uns aos outros, acompanhando-nos mutuamente na tarefa de tornar nossas vidas mais dignas e alegres. Jürgen Moltmann ousa chamar essa energia vital que o Espírito infunde em uma pessoa de "energia erótica", pois ela torna a vida alegre, atraente e sedutora.
Essa experiência espiritual expande o coração: começamos a sentir nossas expectativas e anseios mais profundos se misturando com as promessas de Deus; nossa vida finita e limitada se abre para o infinito. Então, descobrimos também que "santificar a vida" não significa moralizá-la, mas vivê-la a partir da perspectiva do Espírito Santo — isto é, vê-la e amá-la como Deus a vê e a ama: boa, digna e bela, aberta à felicidade eterna.
Segundo João Batista, esta é a grande missão de Cristo: "batizar-nos com o Espírito Santo", ensinar-nos a viver em comunhão com o Espírito. Só isso pode nos libertar de uma maneira triste e limitada de compreender e viver a fé em Deus.
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