Bento XVI: ''Como Pio XII, sou perseguido por nazistas''

Bento XVI | Foto: The Papal Visit /Flickr

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Setembro 2018

O jornal Bild publicou cartas recentes do Papa Emérito Bento XVI, contendo polêmicas com o cardeal alemão Walter Brandmüller.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por L’HuffingtonPost.it, 20-09-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nessa quinta-feira, 20, estourou no Vaticano o caso de algumas cartas recentes de Bento XVI – que remontam a novembro de 2017, portanto, há pouco menos de um ano – que foram “passadas” ao jornal popular alemão Bild.

Nelas, o papa emérito repreende um cardeal alemão, não identificado pelo jornal, mas que provavelmente deve ser Walter Brandmüller, que, um mês antes, o havia criticado em uma entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung por ter renunciado, já que a posição de papa emérito nunca tinha sido vista na história bimilenar da Igreja, deixando, assim, a própria Igreja no caos.

Brandmüller também é um dos quatro cardeais que, em 2016, tinham assinado os famosos pedidos de esclarecimento (os “dubia”) dirigidos ao Papa Francisco sobre a Amoris letitia e a comunhão aos divorciados.

Pois bem, Bento XVI reagiu no ano passado com uma carta enraivecida. Ele escreveu em alemão: “Posso entender muito bem a profundo dor que o fim do meu papado causou em ti e em muitos outros No entanto, em algumas pessoas e – penso eu – também em ti, a dor se transformou em uma raiva que não diz respeito mais apenas à minha renúncia, mas, cada vez mais, também à minha pessoa e ao meu papado como um todo”.

E, depois, repreendeu o cardeal: “Se tu conheces um modo melhor (referindo-se à renúncia) e, portanto, pensas que podes julgar o modo escolhido por mim, por favor, me diga”. Em todo o caso, as cartas mostram que Bento XVI está profundamente preocupado com o estado da Igreja e convida o cardeal a rezar ao Senhor por isto: “Rezemos, ao contrário, como tu fizeste no fim da tua carta, para que o Senhor venha em auxílio da sua Igreja”.

Mas o fato mais interessante é que, na carta, Bento XVI faz uma comparação histórica evocada pelo papa emérito. De fato, no passado, houve outras renúncias papais, escreveu Bento. Mas o exemplo mais nítido é muito recente: o Papa Pacelli, Pio XII, que, em 1944, dando um passo atrás, queria evitar que o papa fosse “preso pelos nazistas”. Em suma, o paralelo é com um papa ameaçado pelos nazistas. Por quem Bento se sentiu ameaçado? “Rezem por mim para que eu não fuja por medo dos lobos”, dissera Bento XVI durante a homilia da missa da sua inauguração. Quem são os lobos?

Nessa ótica, também se compreende melhor um episódio relatado pela revista Spiegel em maio de 2015, segundo o qual Bento estava preocupado em ser envenenado, tanto que, em outubro de 2012, poucos meses antes da renúncia, o presidente do escritório estatal bávaro de investigações criminais teria ido a Roma para examinar as falhas de segurança na preparação dos alimentos para o papa.

De acordo com o Bild, o recente escândalo de abuso sexual lança uma nova luz sobre o surpreendente passo de Bento XVI. Mas o Papa Francisco também voltou a falar sobre os recentes escândalos, na homilia da missa em Santa Marta: “A Igreja, quando caminha na história, é perseguida pelos hipócritas: hipócritas de dentro e de fora”. E “o diabo, que é impotente com os pecadores arrependidos”, é forte justamente com os hipócritas: “Usa-os para destruir as pessoas, a sociedade, a Igreja”. Com um convite a se confiar cada vez mais à misericórdia e ao perdão de Deus, afastando-se do “escândalo dos hipócritas”.

Leia mais