Pará tem 30% dos focos de incêndio registrados no país em 48 horas

Incêndio Florestal. | Foto: Ibama, Flickr

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06 Setembro 2018

Queimadas estão associadas à baixa das chuvas na Amazônia e no Cerrado.

 A reportagem é de Carolina Gonçalves, publicada por Agência Brasil, 04-09-2018.

Nas últimas 48 horas, foram registrados mais de 3 mil focos de incêndio em todo o país. Quase 30% das ocorrências, de acordo com os dados compilados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), estão concentradas no estado do Pará, com 849 queimadas identificadas.

Coordenador do Programa de Monitoramento de Queimadas do instituto, Alberto Setzer, lembra que a grande maioria dos incêndios tem origem humana. “Eu diria que mais de 99%, sendo por acidente ou proposital. E essa ação humana é proibida por lei”, disse. Segundo o pesquisador, apesar dos números deste ano ainda estarem abaixo dos registrados em 2017, quando foi registrada uma forte estiagem neste período, as ocorrências ainda são alarmantes e as autoridades locais não conseguem coibir essas ações.

“Com certeza, novos desmatamentos estão associados a estes incêndios e antigos desmatamentos também para cobrir o entorno da vegetação, assim como o uso do fogo para preparar a roça”, citou. Setzer lembrou que muitas propriedades na região recorrem à queima da vegetação para criar uma camada de nutrientes para a plantação. “Mas, a longo prazo, usando fogo todos os anos, o solo fica pobre e exausto”, completou.

Amazônia

Durante todo o mês de agosto, o território paraense, que historicamente é citado pelos números de desmatamento, teve 1.380 ocorrências ante de mais de 5 mil em todo Brasil. Três cidades lideram o ranking de focos de incêndios: Novo Progresso (340), Altamira (277) e São Félix do Xingu (236).

No mesmo mês, Mato Grosso registrou 790 focos e o Amazonas, 503. Os três estados têm a Amazônia como o bioma exclusivo ou parcial, no caso do Mato Grosso. Pelos registros do Inpe, quase dois terços das queimadas impactaram diretamente esse bioma, que predomina na maior parte do território nacional (49,29%).

Apesar de ser caracterizado pelo clima quente e úmido e por florestas, a região contemplada por este bioma têm, nos meses de agosto, setembro e outubro, baixa ocorrência de chuvas.

“Em parte do Piauí e do Maranhão não choveu nada. Em Mato Grosso, no Tocantins e Pará choveu muito pouco. Foi um mês que choveu muito pouco e onde choveu foi abaixo da média”, disse.

Cerrado

O segundo maior bioma da América do Sul, presente em 22% do território brasileiro, também ocupa o segundo lugar no ranking de biomas afetados pelos incêndios de agosto. Mesmo sendo característico de áreas onde o clima seco predomina neste período do ano, como a totalidade do Distrito Federal e boa parte de Goiás, Tocantins, do Maranhão, de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, os focos no Cerrado ao longo do mês representaram 35% do volume total registrado na Amazônia.

Entre os estados cobertos por este bioma, o Maranhão lidera a lista com 473 casos, seguindo por Tocantins (447) e Minas Gerais (271).

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