As religiosas são a principal força da Igreja Católica na Amazônia

Foto: Cellso Moreira | Wikimedia Commons

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22 Junho 2018

Em 8 de junho passado, o Vaticano divulgou um documento que sugere a possibilidade de ordenar sacerdotes homens mais velhos casados e conferir às mulheres algum “tipo de ministério oficial” na Amazônia. O documento foi preparado para um encontro em 2019 de bispos e representantes católicos dos nove países que têm parte do seu território na floresta e aponta a necessidade de realizar “propostas corajosas” para enfrentar a falta de sacerdotes em uma região de 7,5 milhões de quilômetros quadrados. Também observa que a presença da Igreja católica tornou-se “precariamente escassa” na floresta.

A reportagem é de Eliane Brum, publicada por El País, 19-06-2018. A tradução é de André Langer.

Apesar dos notáveis esforços do Papa Francisco, a Igreja católica é muito lenta. Enquanto cardeais e bispos discutem entre paredes, uma legião de irmãs missionárias vem garantindo há décadas a presença católica nas áreas de maior conflito, tanto na Amazônia como em outras partes do planeta. Embora os homens da Igreja não o admitam nem no confessionário, são as mulheres da Igreja as que disputam as almas às denominações evangélicas pentecostais e neopentecostais, que se multiplicam a um ritmo acelerado nos assentamentos de pequenos agricultores, comunidades extrativistas e aldeias indígenas.

Também são elas as responsáveis pela organização e resistência dos mais pobres frente aos grileiros (ladrões de terras públicas), aos projetos de exploração mineral e às grandes obras. Os jornalistas que cobrem a área de conflitos ambientais costumam brincar dizendo que por trás de cada luta está uma freira. Algo que extrapola a Amazônia.

No Brasil, que abriga a maior parte da floresta, se a presença católica ainda tem ressonância, deve-se em grande parte a essas missionárias. São elas que defendem os direitos dos mais pobres, muitas vezes com suas vidas, como aconteceu com Dorothy Stang, assassinada em 2005 por defender o acesso dos camponeses à terra. Hoje, irmãs missionárias tão combativas como ela continuam seu trabalho na cada vez mais explosiva região de Anapu, no Pará, colocando seu corpo na mira dos assassinos.

Há outra coisa, mencionada apenas entre sussurros na Igreja católica. As religiosas são muito menos propensas a escândalos sexuais do que os padres; as suspeitas de pedofilia são raras. Elas também são mais unidas e, para quem as acompanha de perto, são mais astutas politicamente. Ao ocupar um lugar central, os padres se mostram mais vulneráveis às vaidades humanas em regiões em que a tentação vem de todos os lugares. Como acontece nas mais diversas áreas, também na Igreja as mulheres ostentam o protagonismo nas lutas longe do Vaticano. Alguém precisa contar isso ao santo homem.

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