“Eu ia à igreja, mas me sentia rejeitado. Os católicos? Eu os escuto”. Entrevista com Alessandro Zan

Foto: Pixabay

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28 Junho 2021

 

"Não sou crente, mas tive uma educação católica e quando garoto estive na Ação Católica e lia os Evangelhos na Igreja. O fato de ser homossexual e ver que a Igreja não me aceitava me afastou”. Alessandro Zan, deputado democrático e ativista lgbt, que dá nome à lei contra a homotransfobia, diz respeitar as posições católicas. Mas não as instrumentalizações, nem "as invasões de campo sem precedentes do Vaticano".

A entrevista com Alessandro Zan é de Giovanna Casadio, publicada por La Repubblica, 26-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Alessandro Zan. (Foto: Wikimedia Commons)

Zan, por que o projeto de lei que leva seu nome não pode ser alterado? Você não acha que com algumas modificações poderia ter uma maioria segura?

Nunca disse, nem digo que a lei não possa ser alterada. O Senado tem sua autonomia. Mas na Câmara tivemos mais de um ano de trabalho, de mediação e de debate, com emendas e discussões, recolhendo preocupações e dúvidas.

 

 

Até dos católicos?

Também.

 

Você é católico?

Não sou crente, mas tive uma educação católica, quando garoto estive na Ação Católica e lia na Igreja. O fato de ser homossexual e ver que a Igreja não me aceitava, me afastou.

 

Mas as razões dos católicos você não estão dispostos a ouvi-las?

Não é verdade. Já modificamos o artigo 4 do projeto de lei para esclarecer, onde houvesse a necessidade, o pluralismo das ideias e a liberdade das escolhas. Se o pároco em uma igreja diz que todos os homossexuais são pecadores, ninguém nunca poderá sancionar essa expressão. Se alguém hoje diz que ‘os judeus devem morrer’, a lei Mancino é acionada por incitação ao ódio religioso. Mas se afirma ‘os homossexuais devem morrer’, silêncio.

 

Existe uma discussão em relação à liberdade das escolas católicas?

O artigo 7º não impõe percursos: existe uma oferta formativa que reside no pacto de corresponsabilidade nos projetos partilhados entre escola e família. Nenhuma escola pode ser forçada a inserir o que não deseja.

 

A indicação da “identidade de gênero” no artigo 1º, entretanto, não pode ser mexida?

Serve apenas para proteger as vítimas de violência e para fornecer ao juiz o motivo que levou a tal agressão ou discriminação.

 

Então, à acusação de coagir a liberdade religiosa e também às críticas de algumas feministas, como você responde?

Existe uma garantia absoluta na lei. Ampliamos a lei Mancino, que combate o ódio religioso e racial. Salvini e a direita com seu projeto de lei retrocedem e usam a lei contra a homofobia para enfraquecer a lei Mancino.

 

Você prefere que o projeto de lei Zan seja aprovado em votação secreta, em vez de buscar um consenso mais amplo?

Se as modificações criam disparidade de tratamento, eu não concordo. O receio de que uma lei não seja aprovada no voto secreto sempre existe, mas se a maioria que a votou na Câmara se mantiver - do Pd ao M5S, os renziani, esquerda, autonomias e liberais da Forza Italia então passa.

 

Nota do Instituto Humanitas Unisinos – IHU

 

No dia 21 de julho de 2021, às 10h, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU realiza a conferência A Inclusão eclesial de casais do mesmo sexo. Reflexões em diálogo com experiências contemporâneas, a ser ministrada pelo MS Francis DeBernardo, da New Ways Ministry – EUA. A atividade integra o evento A Igreja e a união de pessoas do mesmo sexo. O Responsum em debate.

 

A Inclusão eclesial de casais do mesmo sexo. Reflexões em diálogo com experiências contemporâneas

 

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