A vacina de coronavírus da Universidade de Oxford tem ‘preocupações éticas’, advertem arcebispos da Austrália

Foto: Pixabay

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26 Agosto 2020

O governo federal australiano assegurou às comunidades religiosas de que não há “preocupações éticas” em torno da vacina de coronavírus, a qual acordou em adquirir 25 milhões de doses.

A reportagem é de Alison Xiao, publicada por ABC News, 23-08-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Na semana passada, três dos principais arcebispos da Austrália escreveram ao primeiro-ministro Scott Morrison, criticando a vacina desenvolvida na Universidade de Oxford, a qual, dizem, faz uso de uma “linhagem de células cultivadas a partir de um feto humano abortado propositalmente”.

A vacina, considerada entre as principais concorrentes do mundo na corrida mundial para o combate da covid-19, foi desenvolvida a partir de uma linhagem de células renais (HEK-293) extraídas de um feto abortado, prática comum em pesquisa médica.

Na semana passada o governo australiano assinou um acordo com a empresa farmacêutica inglesa AstraZeneca para assegurar 25 milhões de doses da possível vacina de covid-19, caso passe nos testes.

A carta assinada pelo arcebispo anglicano Glenn Davies, pelo arcebispo católico de Sydney, Dom Anthony Fisher, e pelo arcebispo da pela Arquidiocese Ortodoxa Grega da Austrália, Dom Makarios, pediu que o primeiro-ministro reconsidere o acordo.

Os arcebispos disseram apoiar, em princípio, a vacina de covid-19, mas colher “tecido fetal é profundamente imoral”.

Embora sem propor explicitamente um boicote à vacina, os religiosos disseram que os membros das respectivas congregações podem consultar a própria “consciência individual” e recusarem a vacina, mesmo se nenhuma alternativa estiver disponível.

No Facebook, Fischer escreveu também que a vacina da Universidade de Oxford criou um dilema ético.

O vice-diretor médico Nick Coatsworth veio a público esclarecer as preocupações morais levantadas.

“Podemos acreditar que a forma como a vacina foi produzida segue os mais altos padrões éticos internacionais”, disse ele.

Jim Chalmers, tesoureiro do governo australiano, disse que pessoas estão se antecipando aos fatos, na medida em que a vacina ainda está em fase de testes.

“A minha opinião pessoal é se e quando a vacina estiver disponível, quanto mais pessoas forem vacinadas, melhor”, contou à rede de televisão ABC.

“Como católico, digo que esse é a melhor saída para a Austrália, pois a vacina é, realmente, o que vai nos ajudar”.

O imunologista Peter Doherty, ganhador do Prêmio Nobel, disse que o processo feito é ético. “Trata-se de uma linhagem celular estabelecida, usada em um monte de aplicações”, falou.

“Se Fischer acha que é passível de objeção, é perfeitamente justo dizê-lo, e é nosso direito também absolutamente não tomar nota do que ele diz”, completou.

Morrison já havia dito que o governo não tem restringido sua busca por uma vacina somente àquela proposta pela Universidade de Oxford.

O professor Colin Pouton, do Instituto Monash de Ciências Farmacêuticas, disse que a célula HEK-293 é regularmente usada em pesquisas médicas para a “fabricação de produtos de vetores virais”, já que há vantagens no emprego de células de mamíferos.

“Eles usam a linhagem celular como um sistema de empacotamento para fabricar o vírus”, declarou em entrevista. “É uma linhagem celular que podemos usar para fazer proteínas ou fabricar produtos de vetores virais”.

Pouton explicou que a linhagem celular foi desenvolvida décadas atrás e que tem sido amplamente usada no mundo todo.

“As pessoas não usam uma nova linhagem celular”, continuou ele. “Ela já está aí, portanto a questão ética, em muitos aspectos, é história”.

Outras vacinas na Austrália usam as linhagens de células diploides WI-38 e MRC-5, as quais originalmente derivam do tecido fetal humano. Estas incluem as vacinas contra a rubéola, a hepatite A e a raiva, entre outras.

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