A aceleração do Vaticano: iniciada a investigação sobre o cardeal Pell

Praça São Pedro, Vaticano. Foto: Luca Serazzi / Flickr CC

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01 Março 2019

O cardeal George Pell, 77 anos, condenado em primeira instância por abuso de dois meninos do coro de 13 anos em 1996, passou a primeira noite na cadeia. Em Roma, por sua vez, a Santa Sé anunciou uma investigação canônica em vista de um processo no ex-Santo Ofício.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 28-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

O juiz da corte distrital do estado, em Melbourne, revogou a fiança e anunciou a sentença para 13 de março: pode somar até 50 anos, dez para cada uma das cinco acusações. Pell não demonstrou nenhuma reação e antes de sair, apoiado em uma bengala e escoltado por três agentes e um guarda carcerário, se virou para o juiz e fez uma reverência. O agora ex "ministro" da economia do Vaticano foi levado para uma prisão de segurança máxima, despido e examinado conforme o regulamento e, por fim trancado em “custódia protetora”, como acontece com os pedófilos, uma cela onde ficará isolado por 23 horas por dia. Pell, primeiro cardeal já preso por abusos, diz ser inocente e vai recorrer. Ao deixar o tribunal a multidão gritava "você é o diabo, você é um monstro, vai queimar no inferno". Seus advogados disseram que abriu mão de pedir uma nova fiança, pois "acredita que é conveniente aguardar a sentença na prisão".

Enquanto isso, é significativo que a Santa Sé tenha anunciado que "a Congregação para a Doutrina da Fé irá agora tratar do caso nas formas e com os tempos estabelecidos pelas normas canônicas". O Vaticano, reiterando "o maior respeito pelas autoridades judiciais australianas", disse que esperava “o resultado do recurso”. Mas, enquanto isso, está acelerando a investigação canônica para esclarecer os fatos. Francisco, na audiência desta quarta-feira, observava: "O mal está com os dias contados, não é eterno, está com medo." Pell possivelmente terá a mesma punição dada a McCarrick, expulso do Colégio cardinalício e mais tarde destituído. No seu caso, no Vaticano, há mais dúvidas. Estamos caminhando para um processo penal "judicial" ou “administrativo" (“abreviado”), mas o ex-Santo Ofício pode deferir "os casos mais graves" ao Papa, sem possibilidade de apelo.

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