O papa Francisco deve liderar a crise dos abusos sexuais. Editorial da revista America

Foto: governortomwolf /Flickr

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30 Agosto 2018

"A recusa de Francisco em responder às acusações de Viganò pode ser uma tentativa de ficar acima da briga em vez de dignificar um ataque ideológico venenoso. No entanto, a recusa do papa é uma resposta pastoral insuficiente para uma igreja que está profundamente ferida", argumenta o editorial da revista America, dos jesuítas dos EUA, 28-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o texto.

As 11 páginas de acusações do arcebispo Carlo Maria Viganò contra o papa Francisco e outros líderes da Igreja têm armado a crise de abuso sexual da Igreja, mudando o foco de ouvir os sobreviventes para as intrigas do Vaticano. No entanto, essas novas acusações representam mais do mesmo problema que a igreja já teve: padres, bispos e papas que, quando souberam de abuso, protegeram-se mutuamente, em vez de proteger as vítimas.

As recomendações que fizemos quando o caso McCarrick foi revelado pela primeira vez, em julho, e depois que o relatório do júri da Pensilvânia foi divulgado, em agosto, ainda permanecem: a igreja deve priorizar ouvir sobreviventes de abuso e buscar justiça para eles. Mecanismos públicos claros para denunciar abuso e conduta imprópria e para disciplinar bispos que falham em seus deveres devem ser estabelecidos. A igreja deve empreender uma contabilidade abrangente e transparente de seus trágicos fracassos durante as últimas décadas e conduzir e cooperar com quaisquer investigações necessárias.

Para alcançar uma verdadeira reforma, o papa Francisco deve dar a esta crise a sua total atenção. Sua carta à igreja e suas declarações na Irlanda são um começo, mas ele deve seguir adiante e torná-las concretas. A recusa de Francisco em responder às acusações de Viganò pode ser uma tentativa de ficar acima da briga em vez de dignificar um ataque ideológico venenoso. No entanto, a recusa do papa é uma resposta pastoral insuficiente para uma igreja que está profundamente ferida. A melhor maneira do papa Francisco reagir à tentativa de usar a crise dos abusos sexuais como arma na guerra cultural é ser honesto e se humilhar, como fez em sua resposta aos sobreviventes de abusos no Chile, e liderar a igreja no cuidado daqueles que estão sofrendo mais.

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