Exploração e mineração na Amazônia venezuelana

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Lara Ely | 03 Outubro 2017

Ao sul do rio Orinoco, em uma área maior do que o território da Bulgária, Libéria ou Cuba, estão as maiores riquezas minerais da Venezuela. Minérios como ouro e diamante descansam nas entranhas do Maciço de Guayanés por milhões de anos. É lá que fica o cinturão de Orinoco, na fronteira da Venezuela com o Brasil, local onde vivem os Yanomami e que representa o maior território indígena coberto por floresta em todo o mundo.

Como a maioria dos povos indígenas do continente, os Yanomami provavelmente migraram pelo Estreito de Bering entre a Ásia e a América cerca de 15 mil anos atrás, seguindo lentamente para a América do Sul. Com mais de 9,6 milhões de hectares, o território Yanomami no Brasil é o dobro do tamanho da Suíça. Na Venezuela, os Yanomami vivem na Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, de 8,2 milhões de hectares.

Palestrante da conferência A Queda do Céu. Palavras de Um Xamã Yanomami. Obra de Albert Bruce e Davi Kopenawa no mês de agosto no IHU, o professor adjunto de Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC José Antonio Kelly Luciani falou recentemente sobre a questão dos Yanomami. Ao analisar a obra do xamã Kopenawa, ele diz que “o autor revela no seu livro uma inclinação propriamente filosófica de questionamento contínuo sobre a vida e o cosmo Yanomami, os motivos de seus ancestrais, a sociabilidade dos espíritos etc., assim como a vida e as motivações dos brancos, particularmente informado por sua experiência do interesse incessante dos brancos pela terra dos índios, pelos minérios e pelas mercadorias”.

 


 

 

O que ameaça sua soberania nos dias atuais é a ação de garimpeiros, que trabalham ilegalmente transmitindo doenças mortais como malária e poluindo os rios e as florestas com mercúrio. Pecuaristas estão invadindo e desmatando a fronteira leste de suas terras. A saúde Yanomami está debilitada e serviços médicos essenciais não chegam a eles, especialmente na Venezuela.

Para piorar, em fevereiro de 2016, o presidente Nicolás Maduro decretou esse território como a Zona Nacional de Desenvolvimento Estratégico do Minério do Orinoco, uma ideia que Hugo Chavez, seu antecessor em exercício, anunciou ao país em 2011. A iniciativa de Maduro vem como uma tentativa desesperada de preencher os cofres da nação.

 

A riqueza insuficientemente explorada dos depósitos minerais é o incentivo oferecido aos investidores nacionais e estrangeiros, que se apressaram em criar empresas para obter maiores vantagens dessa nova oportunidade de fazer negócios com o Estado. Para financiar o projeto de mineração em larga escala, o governo venezuelano afirmou ter convocado 150 empresas venezuelanas e estrangeiras, mas apenas 16 assinaram acordos e quatro joint ventures foram criadas, das quais apenas uma tem presença visível na parte oriental do país.

Os mais afetados são os povos indígenas que, desde os tempos ancestrais, ocupam o território interposto, bem como os ecossistemas de interesse global, já que o Orinoco faz parte da Amazônia. O projeto progride sem os estudos de impacto ambiental e sociocultural correspondentes. Até o momento, a região foi reduzida a uma promessa impraticável do governo de reinvestir o lucro da mineração em dividendos para os setores mais pobres da população.

Em região próxima a Orinoco, o governo brasileiro recentemente ameaçou adotar postura semelhante ao venezuelano. Foi por pouco que a Reserva Nacional de Cobre e Associados - Renca, na floresta amazônica, não virou alvo da exploração das mineradoras. Com a reação de ambientalistas e da comunidade internacional após a liberação da atividade na área, o presidente Michel Temer precisou voltar atrás e anunciou a extinção total do decreto que previa a abertura da área para a entrada de empresas de mineração.

Leia mais