Ações do governo Lula salvaram pelo menos 20 mil km² da Amazônia desde 2023

Foto: Secom/Via Fotos Publicas

Mais Lidos

  • ​Sociólogo analisa a conjuntura eleitoral e os possíveis desfechos da eleição de domingo. “Diria que hoje, para sermos mais conservadores na análise, os dois vão para o segundo turno com um viés de alta para o Lula”

    Eleições 2026: “Brasil pode entrar numa rota de conflito interno e de ingovernabilidade radical”. Entrevista especial com Rudá Ricci

    LER MAIS
  • IHUCast – Projetos de Brasil em disputa. Democracia, sociedade e escolhas que definem o futuro do país

    LER MAIS
  • Ganância mata, cuidado vivifica! Breve reflexão para crentes ou não. Comentário de Chico Alencar

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

29 Setembro 2026

Depois do desmonte ambiental sob Bolsonaro, a retomada da fiscalização por Lula permitiu reverter a trajetória de desmatamento da última década.

A reportagem é publicada por Climainfo, 28-09-2026.

A saída de Jair Bolsonaro e a volta de Lula à presidência da República, em janeiro de 2023, foram decisivas para a proteção da Amazônia. Uma análise do Carbon Brief reforça o balanço positivo do 3º mandato do atual presidente na área ambiental, especialmente na maior floresta tropical do planeta.

Segundo o levantamento, a retomada da fiscalização ambiental evitou a derrubada de pelo menos 20 mil km² de floresta nos últimos quatro anos. É uma área equivalente ao tamanho de países como Eslovênia e Israel.

A Amazônia sofreu muito durante o (des)governo Bolsonaro. O desmonte das políticas ambientais e da fiscalização permitiu a explosão do desmatamento, impulsionada por invasões em territórios protegidos, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Segundo uma análise da InfoAmazonia, com base em dados do sistema PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a floresta perdeu quase 700 mil árvores por dia a mais com Bolsonaro do que no atual mandato de Lula.

O retorno de Lula ao Planalto permitiu a retomada das ações de fiscalização ambiental, além da recuperação de instrumentos importantes para a agenda ambiental e climática, como os Fundos Amazônia e Clima. O atual governo também fortaleceu os órgãos ambientais federais, que foram enfraquecidos e sucateados nas gestões de Bolsonaro e Michel Temer.

Com isso, a Amazônia conseguiu reverter a trajetória de alta do desmatamento observada na última década. Dados do sistema DETER, também do INPE, indicam que o último período anual (agosto de 2025 a julho de 2026) registrou o menor índice de alertas de desmatamento da série histórica, iniciada em 2015. Se a queda se confirmar nos dados consolidados do PRODES, que devem ser divulgados em novembro, o desmatamento no último ano pode ter sido o menor na Amazônia desde 1988.

A análise do Carbon Brief baseou-se na modelagem, feita por uma equipe internacional de pesquisadores, de um cenário alternativo no qual o Código Florestal não fosse aplicado, como ocorreu no governo Bolsonaro. Por isso, os especialistas ressaltam que a estimativa é provavelmente “conservadora”, já que o desmatamento real sob a gestão do ex-presidente (e atual presidiário) pode ter sido “muito maior”.

🔍 Adicione o Instituto Humanitas Unisinos – IHU às suas fontes favoritas do Google

“A principal mensagem da nossa modelagem é o contraste entre essas trajetórias: a governança ambiental frágil mantém o desmatamento em níveis substancialmente mais altos do que a implementação completa do Código Florestal”, destacou Aline Soterroni, pesquisadora da Universidade de Oxford. “Essa mensagem continua relevante hoje.”

Os dados reforçam a importância da eleição presidencial deste domingo (4/10) para o futuro da Amazônia. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula tem como principal adversário o filho de Jair, o senador Flávio Bolsonaro. A possibilidade de um retorno da família Bolsonaro ao poder representa uma ameaça à proteção da Floresta Amazônica.

“O governo Bolsonaro, no período de 2019 a 2022, mostrou que a desconstrução das políticas e instituições ambientais pode ser feita muito, muito rapidamente. Em questão de poucos meses, eles [Flávio Bolsonaro] podem destruir tudo o que foi construído ao longo de décadas de políticas e ativismo ambiental no Brasil”, observou David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Ainda mais considerando que Flávio já disse diversas vezes que o governo de seu país será sua referência. Ou seja, a destruição é só uma questão de tempo.

Leia mais