Paul Zulehner, teólogo austríaco, apela a uma transformação da Europa através da Eucaristia

Paul Zulehner (Foto: Thaler Tamas | Wikimedia Commons)

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16 Setembro 2026

Paul Zulehner coloca à prova o efeito da Eucaristia: o decisivo não é quantas pessoas vão à missa aos domingos, mas o que a celebração faz com os fiéis.

A reportagem é publicada por katholisch.de, 15-09-2026.

Segundo Paul Zulehner, a Eucaristia é uma missão de transformação da Igreja e da sociedade. Se as pessoas realmente se deixassem transformar pela celebração eucarística, isso deveria ter consequências para o tratamento dado aos refugiados, para a proteção da criação e para o empenho pela paz e pela justiça, disse o teólogo pastoral na noite de segunda-feira, numa meditação durante o workshop sinodal internacional no Castelo Puchberg, perto de Wels, na Alta Áustria. Segundo Zulehner, as pessoas deveriam então ter um "coração maior" para essas questões, prestando mais atenção, por exemplo, à sua pegada ecológica, saindo da celebração "muito mais como filhos e filhas do Sermão da Montanha" e empenhando-se pela paz. O decisivo não é o número de pessoas que frequentam uma celebração eucarística aos domingos, mas o que a celebração da missa faz com elas.

A Eucaristia não se encerraria com a transformação litúrgica do pão e do vinho, mas deveria transformar os próprios celebrantes e, através deles, também o mundo. Zulehner perguntou, portanto, se na Eucaristia se trata realmente da transformação das pessoas ou apenas da transformação das ofertas: "Talvez até demais dos que Deus reuniu para uma celebração eucarística dominical digam: Deus, transforme as ofertas, mas nos deixe em paz?"

O teólogo relacionou esses pensamentos com a situação da Igreja na Europa. O continente estaria, "depois de tantos anos do 'nunca mais'", cheio de violência e guerra. A isso se somariam as sobrecargas sobre a criação, a violência contra as mulheres, bem como a violência "no início e no fim da vida". A violência também teria destruído o direito internacional. É justamente nessa situação que a Igreja celebra a memória da morte de Jesus na cruz. A questão seria, portanto, se a Eucaristia realmente leva a que ocorra uma "transformação da Europa".

Sinodalidade como caminho para a paz

Sobre a sinodalidade vivida como "caminho eucarístico" falou Nathalie Becquart, subsecretária do Sínodo dos Bispos, em outra meditação. Ela também destacou que a sinodalidade exige uma transformação interior: quem se dispõe a um processo sinodal deve estar pronto para "renunciar às nossas próprias visões, sempre limitadas", e deixar-se transformar pelo diálogo. Trata-se de "escutar os impulsos do Espírito Santo na busca do consenso".

O ponto de partida da sinodalidade seria sempre a realidade concreta da Igreja local, com sua história, seus dons e suas feridas. Trata-se de promover a inculturação e, ao mesmo tempo, o intercâmbio entre as Igrejas e os membros do Povo de Deus. "Todos nós ainda estamos num processo de aprendizagem", disse Becquart. Para a Europa, isso teria significado especial diante de "divisões, polarizações, conflitos e guerras". A Igreja deveria fortalecer as relações entre pessoas, culturas e Igrejas, e aprender a manter unida a diversidade num movimento comum.

Cerca de 180 participantes de mais de 30 países se reúnem de segunda a quinta-feira na Alta Áustria, para reunir diferentes experiências e perspectivas das Igrejas locais europeias e, a partir delas, desenvolver um "roteiro" para a continuidade da implementação do Sínodo Mundial. O encontro é organizado pelo Departamento de Sinodalidade da Universidade Católica Privada de Linz, em conjunto com a força-tarefa europeia para a sinodalidade, e sob os auspícios do Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE).

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